Como educar o meu filho?

Não existem respostas ou “receitas certas” para esta questão mas existem algumas orientações que podemos considerar.
Em primeiro lugar sabemos que os pais são sempre os primeiros modelos dos filhos. As crianças aprendem mais com o que vêm os pais fazer, do que com os conselhos que eles lhes dão: por isso, os pais têm de ter cuidado com o modelo de comportamento que têm e que expõem aos seus filhos. Ser coerente entre o que se diz e o que se faz perante as crianças dá-lhes segurança.
Em segundo lugar, na interação com os filhos os pais devem ter atenção a quatro aspetos centrais:
  • as regras/limites,
  • o elogio/reforço,
  • a disponibilidade,
  • a negociação.
1º Regras:
Os pais devem assegurar que as regras sejam claras e consistentes. As regras são para cumprir, sendo fundamental saber dizer "Não" quando se transgridem as regras previamente estabelecidas. Ter atenção que depois das regras estarem estabelecidas não faz sentido mudá-las de acordo com interesses momentâneos dos pais, mesmo quando estão prestes a sucumbir ao cansaço. As regras deverão mudar à medida que os filhos crescem e sobretudo, à medida que os filhos vão provando maior responsabilidade e capacidade para serem autossuficientes. Estas mudanças progressivas deverão ser feitas com diálogo e negociação, tal como se explicará no item “negociação”.

2º Elogios:
Os pais deverão elogiar e encorajar sistematicamente os aspetos positivos, os sucessos dos filhos, mas sobretudo deverão valorizar o seu esforço mesmo quando os resultados não forem positivos.
Todas as crianças têm virtudes que devem ser encorajadas. No entanto, também todas as crianças têm limitações que terão de ser toleradas e não criticadas, caso contrário, o futuro adulto padecerá de baixa auto-estima e assertividade.
Há que aceitar as limitações dos filhos, independentemente das expectativas. Ao fazê-lo, estaremos a amá-los e a dar-lhes o melhor de nós, permitindo que eles possam vir a ser o melhor que realmente poderão ser. A crítica é útil mas perde a sua utilidade se for a única forma de comunicação para com os filhos.

3º Disponibilidade:
A disponibilidade e o tempo de qualidade passado com os filhos determinam os vínculos, a confiança e o à vontade estabelecido entre uns e outros, facilitando a comunicação nos momentos de conflito e de tensão. É importante falar de tudo quanto os filhos queiram e mostrar-se disponível para o resto. A perceção que muitos filhos têm relativamente aos seus pais, quando estes se esquecem deles ou não se interessam pelas suas dúvidas, insucessos ou sucessos, tem repercussões graves na formação da personalidade da criança.
Muitas vezes os pais referem grande tristeza por não conseguirem ter mais tempo para os seus filhos: é verdade que a trepidação da vida moderna torna muito mais difícil ter tempo para os filhos. No entanto, felizmente a qualidade dos afetos é mais importante que a quantidade de tempo dedicado. O importante é estar mesmo disponível algum tempo para brincar ou falar com os seus filhos, mesmo que seja pouco tempo.
Uma recomendação possível, para ter alguma disponibilidade de qualidade quando chega a casa, poderá ser: tente planear o que tem de ser preparado em casa para o próximo dia ainda antes de chegar a casa (nem que seja ainda dentro do carro), de forma a estar imediatamente disponível os primeiros 15 min para a brincadeira quando entra; depois pode dizer-lhes que tem outra coisa para fazer mas volte a falar com eles à hora da refeição; continue a brincar ou interagir mais 15 min depois da refeição; reserve ainda mais 15 min para contar uma história antes da soneca.

4º Negociação:
Já referimos que as regras devem mudar de acordo com a idade dos filhos e sua maturação psicológica. Devem também ser explicadas aos filhos para eles perceberem a sua justificação e para aprenderem com os pais o conceito de justiça, respeito pelo próximo, diálogo e negociação.
No entanto, as explicações e eventuais negociações têm muito a ver com a idade.
Durante o primeiro ano de vida (mais ou menos até aos 10 meses) as crianças não entendem as explicações e não vale a pena sequer dizermos “não” a uma criança.
No segundo ano de vida (mais ou menos entre os 12 e os 24 meses), com os devidos limites e a tolerância que sempre temos que ter com uma criança pequena, já vale a pena ralharmos quando ela faz algo que não deve, mas é ainda impossível ela compreender as nossas explicações.
Só depois dos 24 meses a criança poderá começar a compreender por que não deve fazer certas coisas, se as nossas explicações forem simples e adequadas à sua idade.
Claro que a negociação, com a imposição das regras através do diálogo e explicação das mesmas, irá tornar-se cada vez mais importante durante o crescimento da criança e será fundamental sobretudo na adolescência.
Neste processo de negociação, também os pais terão de aprender a aceitar os pedidos dos filhos.
À medida que os filhos provam ser capaz de aceitar regras, menos estas regras devem ser impostas: quando eles cumprem e se portam de acordo com os limites negociados e definidos pelos pais, então os pais devem recompensar os filhos com mais confiança e mais autonomia. Quando os filhos não cumprem as regras, devem ser corrigidos com menor autonomia, deixando sempre a possibilidade de no futuro voltar a recompensá-los.
Um exemplo de como esta “negociação” se poderá estabelecer, quando os adolescentes já são mais velhos, poderá ser o que se passa quando o nosso filho nos pede para ir a um bar ou a uma discoteca. Após conversarmos com ele, impomos que regresse à meia-noite a casa. Caso ele cumpra, é legítimo elogiá-lo e dar-lhe mais autonomia, nomeadamente a possibilidade de noutro dia poder regressar a casa um pouco mais tarde. No entanto, caso não cumpra, temos o direito e até o dever de o corrigir, não o deixando sair no dia seguinte.
Aos poucos pretende-se que os limites e regras deixem de ser impostos pelos pais e passem a ser os próprios filhos a fazer as suas próprias escolhas com total autossuficiência.
Desta forma iremos progressivamente promovendo-lhes a autonomia, dando-lhes oportunidades para aprender a decidir como um adulto. Estaremos assim não só a fomentar a sua própria auto-confiança como a confiança que nós, pais, temos neles.
Mais cedo ou mais tarde, o mundo será deles, não nosso, e convêm que eles não precisem de nós para tomarem decisões!