Perguntas frequentes

Gravidez (16)



Deverá informar-se junto do hospital onde pensa recorrer para o parto, mas referimos como exemplo, o que é geralmente necessário:

 

  • Para a mãe:
  • Camisa de dormir, roupão e chinelos;
  • Produtos de higiene;
  • Cuecas, preferencialmente descartáveis.

Desaconselhamos o uso de objetos de valor.

  • Para o bebé:
  •  Fraldas descartáveis
  •  Babygrows ou conjuntos de camisa e calça (com pé)
  •  Conjuntos de camisas interiores de algodão
  •  Toalhas de banho e fraldas de pano (opcional)
  • O uso da chucha prejudica a adaptação do bebé à amamentação, pelo que deve ser evitada nas primeiras semanas de vida.

O internamento de acordo com os protocolos hospitalares oscila entre as 48 e as 72horas.

In brochura "Guia para Grávidas" Janela Aberta à Família
Administração Regional de Saúde do Algarve, I.P.

 



Todos sabemos que mesmo um parto saudável e normal é geralmente acompanhado de dor. Existem atualmente vários métodos de analgesia que atenuam e/ ou eliminam as dores durante o trabalho de parto. Esses métodos podem ser farmacológicos, com utilização da técnica epidural ou não farmacológica através da utilização da bola de parto, massagens, entre outros.

Para a realização de epidural, será solicitado à grávida o seu consentimento por escrito.

As aulas de preparação para o parto poderão ser uma boa opção no que diz respeito à desmistificação deste momento, no esclarecimento de dúvidas e na redução de alguma ansiedade latente. Informe-se no seu Centro de Saúde ou no Hospital. O facto de a mulher poder estar acompanhada pelo companheiro, ou alguém da sua confiança, ajuda a diminuir a ansiedade.

In brochura "Guia para Grávidas" Janela Aberta à Família
Administração Regional de Saúde do Algarve, I.P.

 

O parto normal é constituído por três etapas: dilatação, expulsão e dequitadura.

  • Na dilatação, o colo do útero, por onde o bebé passa, começa a dilatar-se até aos 10 cm. As contrações são cada vez mais regulares e próximas. Durante uma contração, a mãe deve inspirar profundamente pelo nariz, como se estivesse a “cheirar uma flor”, e deitar o ar fora pela boca, como para “apagar uma vela”. Quando a contração terminar, deve inspirar e expirar profundamente, relaxando o mais possível.
  • Na expulsão, o bebé sai pela vagina, mas pode ser necessário um pequeno corte no períneo para facilitar a sua saída. A mãe deverá em cada contração inspirar profundamente e, depois, não deixar sair o ar enquanto faz força. Quando já não faz força, expira; e aproveita o intervalo entre as contrações para descontrair.
  • Na dequitadura, depois do nascimento do bebé, é necessário aguardar a saída da placenta e das membranas que envolveram o bebé.

 

No caso de ser necessário uma cesariana, o médico informará quais os motivos desta intervenção e pedirá o seu consentimento por escrito.

Nas últimas semanas a mãe sente a “descida” da barriga.

Os primeiros sinais de início do parto são:

  • Expulsão do rolhão mucoso, que é a eliminação, pela vagina, de muco gelatinoso, rosado ou acastanhado, que pode ocorrer alguns dias antes do trabalho de parto ou apenas algumas horas antes do mesmo.
  • Rotura da bolsa de águas, que se manifesta com a saída de líquido amniótico pela vagina, normalmente claro e transparente, devido à rotura das membranas que envolvem o bebé, e que pode ocorrer lentamente, ou de repente, em grande quantidade. A mãe deve dirigir-se ao hospital com brevidade.
  • Contrações uterinas regulares, cada vez mais intensas, de forma mais organizada e mais próxima. Quando elas forem regulares e com intervalos de 10 em 10mn deve dirigir-se ao hospital.

Nas últimas semanas de gravidez é comum ocorrerem contrações irregulares e sem dor, mas isto não significa que está em trabalho de parto.

Deverá contactar imediatamente o centro de saúde ou a urgência do hospital, se durante a gravidez tiver:

  • Perda de líquido ou sangue pela vagina (mesmo que em pequena quantidade),
  • Corrimento vaginal com comichão, ardor ou cheiro não habitual,
  • Dor ou ardor ao urinar e alteração repentina da quantidade de urina,
  • Dores abdominais contínuas,
  • Arrepios ou febre (mais de 38ºC)
  • Náuseas e vómitos persistentes,
  • Dores de cabeça fortes ou contínuas,
  • Inchaço repentino dos pés, mãos e cara,
  • Perturbações da visão,
  • Aumento acentuado do seu peso, num curto espaço de tempo
  • Alterações da tensão arterial (sobretudo hipertensão),
  • Diminuição dos movimentos fetais

 

Como fazer a contagem dos movimentos fetais?

É conveniente aprender a contá-los no 3º trimestre da gravidez. Os movimentos do bebé são um excelente indicador do seu estado de saúde. Cada bebé tem o seu padrão de movimento e as mães têm a habilidade de saber analisá-lo melhor do que ninguém.

Comece a contar os movimentos do bebé quando se levanta (por exemplo às 9h). Quando registar os 10 movimentos anote um “X” no seu livro de gravidez na quadrícula respetiva da hora correspondente. Se tiverem passado 12 horas e não tiver atingido os 10 movimentos, assinale, abaixo da linha vermelha, o número de movimentos contados e contacte imediatamente o médico.

Realçamos o álcool, o tabaco e as drogas, como produtos proibidos durante a gravidez. Mesmo em baixas doses são responsáveis por problemas nos bebés. No caso do tabaco, lembramos que não é só a grávida que não deve fumar: todos os que a rodeiam deverão evitar fumar na sua presença!

Mesmo os medicamentos, as radiografias, TAC(s) ou outros exames que impliquem exposição aos raios X devem ser evitados. Se precisar de tomar medicamentos ou fazer um destes exames, deverá avisar os profissionais de saúde que está gravida!

A roupa deve ser prática, confortável, de preferência de fibras naturais (algodão e linho), adequada ao aumento do volume do abdómen. Evite o uso de roupa apertada. Os soutiens de alças largas são os mais indicados para o seu estado.

Pode usar uma cinta de grávida após o 5 º mês de gestação. Os sapatos devem ser cómodos, sem solas escorregadias nem saltos altos.

Sim, não há qualquer problema nem para a mãe nem para o bebé.

Só deverá haver restrição se surgirem complicações como hemorragia vaginal e ameaça de parto pré-termo, por exemplo.

As Infeções Sexualmente Transmitidas, contraídas durante a gravidez, como VIH/SIDA e sífilis, acarretam complicações graves para a grávida e para o bebé. É muito importante que tanto a grávida como o seu companheiro tenham um comportamento sexual responsável, sendo por vezes necessário a utilização de preservativo.

Sim, pode e deve, desde que seja de forma moderada e a sua gravidez não tenha complicações tais como doenças ou outras situações de risco. Aconselhe-se com o seu médico e/ou a sua enfermeira.

A atividade física moderada durante a gravidez diminui a prisão de ventre, o stress, a fadiga, as dores nas costas, o risco de hipertensão e a diabetes.

Os melhores exercícios são os aeróbicos (marcha, natação, dança de salão, etc.) ou de fortalecimento muscular leve. Aproveite para passear ao ar livre fazendo boas caminhadas.

Se não fazia exercício físico antes de estar grávida pode iniciar-se por programas de 15 mn de exercício (3 vezes por semana), até 30 mn (4 vezes por semana).

Nunca ultrapassar os 45 mn de exercício e reduza progressivamente o esforço à medida que a gravidez avança.

Se já praticava desporto ou algum exercício mais violento, poderá continuar a praticar essa modalidade no início, mas com maior moderação. Deverá evitar desportos de contacto, de movimentos bruscos ou que tenham risco de acidente (judo, râguebi, squash, basquetebol, futebol, equitação, ciclismo, esqui, mergulho em profundidade, etc.).

Ou seja, tudo tem que ser feito com crescente moderação, evitando os grandes esforços.

Finalmente, existem exercícios físicos apropriados para se fazer durante e após a gravidez, praticados nas sessões de preparação para o parto. Alguns centros de saúde e hospitais oferecem estes serviços. Informe-se!

Uma boa alimentação é importante para si e para o seu futuro bebé.

No entanto a mãe não precisa de comer por dois! O importante é a qualidade e a diversidade, e não o aumento da quantidade de alimentos.

Deve alimentar-se com frequência, mas pouco de cada vez, procurando fazer refeições pequenas com intervalos regulares.

O seu peso deve aumentar de maneira lenta e progressiva. No final da gravidez pode ter mais 10 a 12 quilos.

Os alimentos crus (fruta e saladas, ou mesmo a carne antes de ser cozinhada) podem ser portadores de infeções como a salmonelose e a toxoplasmose, e por isso, devem ser bem lavados. Pela mesma razão, quando mexe nestes alimentos ou em produtos que vêm da terra (por exemplo quando trabalha em jardinagem), deve ter o cuidado de não levar as mãos à boca, aos olhos e ao nariz, e deve lavá-las de imediato. A comida deve ser preferivelmente bem cozida ou bem passada.

Os alimentos devem ser preparados de forma simples, sem muitos condimentos ou salgados.

Na carne deve-se evitar as gorduras (retire a gordura visível da carne) e as partes queimadas.

Realçamos que mesmo que seja feita uma boa alimentação é importante um suplemento de Ácido Fólico no primeiro trimestre da gravidez bem como um suplemento de Ferro no 2º e 3º trimestre.

Nas grávidas que não ingerem lacticínios também devem ser prescritos suplementos de cálcio.

Seguem algumas orientações que podem ser adaptadas ao perfil de cada mulher:

Deve comer

Deve evitar

  • Ovos, peixe ou carne, 2 vezes/dia (ricos em proteínas)
  • Pão e cereais, 3 vezes/dia
  • Leite, 1 litro/dia, ou mais de 3 iogurtes ou 3 porções de queijo (ricos em cálcio)
  • Ervilhas, feijão ou grão, 2-3 vezes/semana (ricos em proteínas vegetais)
  • Fruta e vegetais em todas as refeições (ricos em vitaminas)
  • Doces, bolos, açúcar
  • Café e chá
  • Álcool
  • Bebidas doces com ou sem gás ou com aditivos
  • Mariscos e enlatados (risco de intoxicações)
  • Carne mal passada (risco de salmonelose e toxoplasmose)
  • Queijo fresco de leite não pasteurizado (risco de brucelose ou febre de malta)

 

É importante tomar duche com regularidade. Evite a água muito quente e termine com água mais fria para diminuir o risco de varizes. Pela mesma razão, evite fazer a depilação com cera quente.

Após o duche, aconselhamos o uso de um creme hidratante no corpo, especialmente na zona abdominal e peito (evite produtos com corantes e perfumes).

Também deverá ter maior atenção à escovagem dos dentes para evitar infeções. Para isso deverá:

  • Escovar os dentes depois de cada refeição, pelo menos 2 ou 3 vezes/dia.
  • Preferir uma escova de dureza média e uma pasta de dentes com flúor.
  • Evitar alimentos açucarados, especialmente no intervalo das refeições.
  • Se puder, é aconselhável ir ao dentista no princípio da gravidez ou, pelo menos, entre o 4º e o 6º mês.

Se é uma gravidez normal geralmente fará no mínimo 6 consultas, em que a primeira deverá ser entre as 6 e as 8 semanas.

O médico pode considerar conveniente que a frequência das consultas seja superior.

Nestas consultas serão requisitadas diversas análises e, frequentemente, duas ecografias.

Se houver riscos de complicações, doenças associadas como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, endócrinos ou infeções, se é fumadora ou obesa, se tem antecedentes de abortos espontâneos repetidos, se é menor de 16 anos ou maior de 35 anos, provavelmente será referenciada para a consulta hospitalar.

Na primeira consulta deverá ser-lhe entregue um pequeno livro – o Boletim de Saúde da Grávida – que servirá para anotar todas as informações relacionadas com a sua gravidez. Este documento deverá acompanhá-la sempre, constituindo o “Bilhete de Identidade” desta gestação.

  • Além do aumento do abdómen que se torna visível após o 4º mês, ocorrem muitas outras alterações.
  • No início da gravidez pode surgir uma maior sonolência, náuseas e vómitos, sobretudo logo de manhã. Para evitar as náuseas experimente comer uma ou duas bolachas logo ao levantar e ao longo do dia aumentar progressivamente a quantidade de alimentos. Deve comer com frequência mas em pequenas quantidades.
  • Os seios tornam-se mais volumosos e os mamilos ficam mais sensíveis; existe uma maior pigmentação na aréola do mamilo e aumento da sensibilidade do mesmo, sendo normal o eventual aparecimento de leite no final da gravidez.
  • É normal também o aparecimento de uma linha escura na barriga. Trata-se de uma hiperpigmentação abaixo do umbigo que desaparece progressivamente após a gravidez.
  • Podem também aparecer manchas escuras na cara, denominado cloasma. Nestes casos, deverá evitar a exposição ao sol e se possível utilizar um creme protetor e hidratante.
  • Pode ocorrer obstipação (prisão de ventre). Para evitá-la deve beber pelo menos 1,5l de água por dia e ingerir fruta com fibras tais como laranjas, ameixas, kiwis, diversificar nas hortaliças e cereais integrais (pão de mistura, flocos).
  • Poderá sentir necessidade de urinar demasiadas vezes, inclusive à noite, sobretudo no início e no fim da gravidez.
  • Poderão aparecer varizes nas pernas. Para prevenir o seu aparecimento deverá evitar permanecer longos períodos de pé ou sentada (alternando entre as duas posições periodicamente). Convém descansar as pernas, elevando-as.
  • No final da gravidez podem surgir dores nas costas. Para as minorar deve tentar que a sua coluna vertebral permaneça numa posição equilibrada, nunca muito curvada. Deverá sentar-se corretamente, com apoio nas costas, e evitar carregar pesos.
  • É natural também que se sinta por vezes demasiado sensível, insegura, ansiosa e preocupada, sobretudo no primeiro e no último trimestre.

Estas alterações fazem parte do processo NORMAL da gravidez.

Se não houver qualquer problema que antecipe o parto, a criança nasce normalmente por volta da quadragésima (40ª) semana de gestação, ou 9 meses após a fecundação.

As primeiras suspeitas surgem com a ausência de uma menstruação. Poderá sentir aumento de volume e tensão mamária. A confirmação é feita através de um teste de gravidez nos primeiros dias após a falta menstrual.

Depois da confirmação é importante marcar a primeira consulta médica de vigilância, logo que possível.

Aconselhe-se junto dos profissionais de saúde nas decisões que tomar ou nas dúvidas que surgirem relacionadas com este novo projeto de vida.

A gravidez deve ser encarada como um projeto familiar, em que todos os membros da família têm um papel fundamental no bem-estar do binómio mãe-feto.

A mulher /casal deve fazer uma consulta pré-concecional para planear a sua gravidez. Desta consulta faz parte a avaliação do seu estado de saúde e preparação para a gravidez.

Esta programação prevê a toma de ácido fólico, uma vitamina importante para o crescimento do feto. Para além disso alguns fatores de risco, que podem condicionar negativamente a gravidez, podem ser detetados e controlados antes e durante a mesma.
Marcar uma consulta médica antes de estar grávida, é o primeiro e principal passo no planeamento da sua gravidez, para atingir bons resultados.

Bebés (18)

Para o bom desenvolvimento do bebé, para além da alimentação e da higiene, é também necessário zelar pelo seu bem-estar emocional. O bebé precisa não só de afeto mas de uma boa relação de vinculação, de proteção e também de segurança para o bom desenvolvimento da sua personalidade.

O recém-nascido é um ser vulnerável que está disponível a interagir com as pessoas que o rodeiam e a receber todo o seu afeto. Necessita dos estímulos da mãe e do pai para desenvolver a ligação entre eles.

Repare como ele reconhece o seu cheiro, a sua voz, o seu toque e se acalma.

Para prolongar as ligações tão íntimas que uniram mãe e filho durante a gravidez, e assegurar o seu bem estar, há procedimentos básicos que devem constar na relação com o bebé!

Reforçamos as vantagens de:

· Dar colo ao seu bebé. Segure-lhe a cabeça e o pescoço enquanto ainda não o faz sozinho. Evite abaná-lo, pois os movimentos bruscos e repetidos podem lesar o seu cérebro.

. Cantar para o bebé, trautear canções melodiosas e simples.

· Olhar o bebé nos olhos e ter conversas animadas com ele, respeitando-o nos seus momentos de resposta.

· Dar-lhe mimos e embalá-lo. 

· Passear com o bebé na rua e em casa.

· Fazer cócegas ao bebé e rir com ele.

· Explorar as cores e os sons.

· Usar a massagem, porque o toque tem o poder de acalmar o bebé e aumentar a vinculação com os pais.

· Estimular o seu filho em momentos tão importantes como a altura do banho.

As crianças têm memória e, quanto mais se investir na sua estimulação precoce e na qualidade de atenção que lhes prestamos, mais contribuímos para o seu desenvolvimento saudável.

Não tenha receio de cometer erros! Não há pais perfeitos!

O mais importante para uma boa vinculação será sobretudo a sua disponibilidade, proximidade e afetividade para com o seu bebé, ainda enquanto está na sua barriga, sobretudo a partir do segundo trimestre.
Esteja atenta ao seu bebé, através dos movimentos fetais, mostrando-lhe o seu afeto por meio de conversas e carícias à sua barriga.
Para promover esta ligação recomenda-se:
  • Falar, sussurrar e até mesmo cantar para o bebé para ele se acostumar à sua voz e para promover um estado de relaxamento e tranquilidade no feto.
  • Tocar a barriga para sentir o movimento fetal e dar massagens e carícias suaves para interagir com o bebé.
  • Ouvir o seu coração através das ecografias na consulta para sentir-se mais próxima do bebé.
No entanto, é também normal e frequente que os sentimentos de vinculação profunda comecem sobretudo após o nascimento. Aliás, os vínculos familiares constroem-se todos os dias!
Existem algumas estratégias que podem favorecer este processo desde o primeiro momento da chegada do bebé a casa:
  • Estar à sua disposição. Papás e mamãs devem prestar atenção às necessidades e solicitações do seu bebé, não só nos seus cuidados como no tempo de brincadeira e lazer.
  • Estar próximo. Quando um bebé percebe a presença das pessoas que o cuidam sente segurança e proteção, por isso devem evitar-se as separações longas, sobretudo nos primeiros meses de vida.
  • Falar-lhe. O bebé reconhece as vozes familiares e é capaz de perceber os sentimentos e emoções que transmitem as palavras. É importante falar-lhe, cantar-lhe e fazer-lhe perguntas e sugestões.
Devem pautar as demonstrações de carinho: o bebé necessita de doses diárias de carinho, beijos, carícias e palavras de afeto para um desenvolvimento ótimo e saudável, e as rotinas como a alimentação, o banho ou o sono são situações adequadas para fortalecer a relação.
Veja mais aqui: http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/vinculacao-como-fazer-co...
 

Após o parto, a mulher está tão envolvida nos cuidados ao seu bebé e no seu papel de mãe que, por vezes, é natural que o seu companheiro se sinta excluído.

Nesta fase é importante o pai proporcionar apoio e tranquilidade à mãe, podendo partilhar as tarefas domésticas, envolvendo-se nos cuidados ao filho(a), não só para aliviar a carga de trabalho da mãe, mas também porque as interações pai-filho(a) têm um impacto direto sobre o desenvolvimento social e psicomotor da criança. Quanto maior for a sua participação melhor é a qualidade da relação que se estabelece entre ambos.

O papel do pai continuará a ser muito importante no futuro, pelo exemplo que dá aos filhos, pela forma como trata a mãe, pela noção de autoridade e disciplina que incute, pela disponibilidade, mas nunca será tão determinante para a mãe como nestas primeiras semanas após o parto.

Criar rotinas desde os primeiros meses de vida, associadas a rituais de higiene, alimentação ou interação afetiva - cerca de 15 minutos de “miminhos” antes de colocá-lo na cama.
Colocá-los no berço ainda acordados, para aprenderem a adormecer sozinhos.
Nos primeiros meses, o início do sono é geralmente ativo, com movimento dos olhos, a chuchar ou a emitir sons. Isto é normal.
Colocar no berço elementos que o vinculem ao sono, como certos bonecos, desde que sejam seguros e só utilizados para dormir.
As tomas noturnas de leite devem ser mais curtas e sem estímulos luminosos ou outros.
Respeitar as sestas (com horário razoável) nas crianças pequenas até aos 4-5 anos.
Devemos transmitir tranquilidade e segurança às crianças. Devem evitar-se bebidas de coca-cola, chocolate, café ou chá.
Não é recomendável que haja atividade física vigorosa antes de dormir.
O uso da televisão para adormecer ou a exposição a mais de duas horas por dia a um monitor são fatores que prejudicam o sono.
 

Nos primeiros meses de vida é muito importante assegurar as necessidades do bebé quer a nível de rotinas, alimentação, sono, etc., sendo importante assegurar o máximo de tranquilidade e promover o vínculo entre “mãe-bebé” durante essa fase.
Contudo, caso tenha mesmo de se ausentar, assegure-se de que informa o “cuidador”, a quem deixa o seu filho a cargo, das rotinas a que o seu filho tem sido habituado e detalhes da forma como o faz, alguns "truques" que já apanhou para o adormecer ou se já se apercebeu de algo em particular que funcione com ele para minimizar as mudanças nesses dias nos quais estará ausente. Será importante que o bebé se vá habituando a ficar com esse “cuidador” inicialmente por curtos períodos de tempo, de forma gradual, até ficar por um período maior de tempo.
Importa manter o mais possível o ambiente a que o bebé está já habituado. A questão da amamentação também é muito importante, caso esteja a amamentar, deve providenciar a retirada do leite e deixá-lo disponível para o seu bebé.
Com bom senso! Sobretudo que a “posse” da criança não se torne uma arma de arremesso, como tantas vezes se passa entre casais desavindos.
É muito importante que o filho não fique no meio do fogo cruzado das amarguras e questões mal resolvidas dos pais. Pois mais do que a instabilidade que possa estar implicada na mudança de residência que a guarda partilhada exige, mais grave serão as consequências da hostilidade entre o casal e/ou alienação parental. Uma criança tem direito a ambos os pais.
 
Relativamente às idades, não é regra mas não será adequado afastar um bebé da mãe muitas horas sobretudo antes dos 6 meses, sobretudo se estiver a ser amamentado. Se for mais velhinho, depende da adaptação da criança também, podendo sempre sair para passear um pouco com o outro cuidador, assegurando sempre o bem-estar físico e emocional para o bebé.
Mais importante do que as necessidades do educador, serão as necessidades do bebé que importa proteger, evitando grandes alterações na sua rotina. Deverá respeitar-se a necessidade dos bebés terem muitas horas de sono, da necessidade da criança se adaptar primeiro às pessoas, ao cheiro, às vozes, ao toque, sendo que nos primeiros meses a relação privilegiada é sem dúvida com a mãe. 

Lave as suas mãos antes de pegar no bebé e promova esta prática a todos os que a rodeiam, de forma a diminuir o risco de infeções.

O Banho do bebé é sempre um acontecimento importante. Proporciona conforto, troca de afetos entre os pais e o bebé e previne as infeções.

Pode dar banho diário ao seu bebé, a qualquer hora do dia. Evite fazê-lo antes e a seguir à mamada.

Na preparação do banho tenha em atenção alguns cuidados importantes:

  • Prepare antecipadamente todo o material e roupa que vai usar, abrindo previamente os botões ou molas.
  • Certifique-se que o ambiente do local está à temperatura agradável para o bebé (22-25º);
  • Deite na banheira em 1º lugar a água fria e depois a água quente, até cerca de 10 cm de altura. Verifique a temperatura da água com o cotovelo, com a face interna do pulso ou com termómetro (36,5º- 37ºC);
  • Use sabonete ou gel de banho com ph neutro, preferencialmente sem perfumes;
  • Coloque o braço esquerdo por trás das costas do bebé e segure-lhe o braço com a sua mão.
  • Com a sua mão livre lave o bebé, primeiro a face e a cabeça, depois o corpo, e por último o rabinho;
  • Seque o bebé sem o esfregar, com especial cuidado nas pregas;
  • Seque o coto umbilical com uma compressa, primeiro junto à pele e por último a mola que aperta o cordão. Mantenha-o sempre fora da fralda para o manter seco.
  • Se o coto umbilical tiver cheiro, deve ser limpo com compressa esterilizada embebida em álcool a 70º sem adjuvantes, seguido de secagem com compressa seca e esterilizada.
  • Após o banho pode cortar as unhas com tesoura própria, as dos pés cortadas a direito, e as das mãos, curvas.
  • Limpe as orelhas com toalha fina e não use cotonete, pois a cera dos ouvidos é uma proteção natural.
  • Use roupa de algodão junto ao corpo do bebé;
  • Evite roupa de lã com pêlo;
  • Lave a roupa do bebé antes de ser usada, com sabão ou detergente neutro sem perfume para bebé, e retire as etiquetas;
O primeiro mês de vida é a altura mais crítica na vida de qualquer criança, porque até essa idade os bebés estão mais susceptíveis e têm mais risco de apanhar infecções. É precisamente por esse motivo que se recomenda algum cuidado redobrado nessa altura.
No entanto, isso não quer dizer que os bebés não possam sair de casa. Podem e devem sair se o tempo permitir, mas deve-se sempre preferir espaços abertos aos espaços fechados.
Claro que não é proibido ir a um shopping ou hipermercado, mas durante o inverno em que há maior número de pessoas constipadas, a tossir e a espirrar, acho que faz muito mais sentido ir passear a um parque ou andar pelas ruas, porque é muito mais agradável e saudável.
O único cuidado é resguardar o bebé do frio, mas tirando isso não precisam de ficar fechados em casa, podem passear sempre que quiserem, sem grandes restrições.
Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
  • Transporte o seu bebé em cadeira própria logo ao sair da maternidade.
  • No carro use cadeira aprovada, voltada de costas para o sentido do trânsito (até aos 3-4 anos de idade), corretamente instalada e fixa com os cintos do carro, no banco traseiro.
  • Deite o bebé sempre de costas, em cama própria com grades protetoras, com colchão firme adaptado ao tamanho da cama e sem almofada.
  • Coloque o bebé de maneira aos seus pés tocarem o fundo da cama, evitando que a roupa cubra a cabeça.
  • Na cama do bebé evite colocar brinquedos, almofadas, laços, fitas ou fios. Evite também colocar fitas ou fios à volta do pescoço.
  • O quarto deverá estar a uma temperatura amena à volta de 20ºC, não colocando fontes de calor junto à cama do bebé (o aquecimento excessivo é prejudicial ao bebé);
  • Não deixe o bebé sozinho no banho ou em cima da cama, da mesa ou do sofá sem proteções.

Todos sabemos o quão importante são para as crianças as brincadeiras, mas é igualmente importante que os brinquedos sejam seguros e adequados para a sua idade. Entre as características de um brinquedo para ser considerado adequado para a saúde do seu filho, estão:

  • Cumprir as norma de segurança da Comunidade Europeia, e ver se contém as instrucões de uso e as advertências necessárias, em caso de envolver algum risco.
  • Também deve ter uma qualidade adequada, que seja consistente com a idade da criança, e que permita um jogo mais criativo e que a criança possa tirar o máximo partido possível

Para além disso é muito importante ter em conta:

- O tamanho: o brinquedo deve ser suficientemente grande.

- Aparência: não se recomendam brinquedos que imitem a comida

- As peças: não deve ter peças que se desprendem facilmente

- O acabamento: não deve apresentar bordas afiadas

- Materiais: não são adequados os materiais pintados ou envernizados.

- Valores: recomendam-se brinquedos que não sejam sexistas, e que não incentivem o comportamento agressivo ou racista. Neste sentido, devemos ter especial cuidado com videojogos ou jogos de computador.

Antes de comprar um brinquedo, a primeira coisa a fazer é verificar se apresenta, de forma visível, o nome comercial ou a marca e o endereço do fabricante, o seu representante autorizado ou o importador dentro da União Europeia.

 

  • No 1º mês, o bebé poderá sair de casa mas deverá protegê-lo do frio, do calor intenso, da chuva e do vento.
  • Evite ambientes com muito ruído ou com fumo de tabaco. Este é muito prejudicial à saúde do bebé, e grande responsável pelo desenvolvimento de doenças respiratórias, otites, alergias, bem como para a ocorrência da síndrome de morte súbita.
  • Se o seu bebé não fez o “teste do pezinho” na maternidade, leve-o ao Centro de Saúde entre o 3º e o 6º dia;
  • O peso deve ser vigiado semanalmente até ao 1º mês;
  • A 1ª consulta deve ser agendada até aos 28 dias de vida, preferencialmente até ao 10º dia;
  • As consultas seguintes serão agendadas de acordo com o Plano Nacional de vigilância no 1º ano de vida (1º 2º, 4º, 6º, 9º e 12º meses).
  • Proceda à vacinação do seu bebé para o proteger de infeções graves. Na maternidade provavelmente já fez a BCG (vacina da Tuberculose) e a 1ª dose da Hepatite B. Aos 2 meses irá dar continuidade às restantes vacinas do Plano Nacional de Vacinação.

Recorra ao seu médico ou ao Serviço de Urgência se o seu bebé apresentar:

  • Temperatura rectal superior a 38ºC.
  • Prostração, gemido ou irritabilidade
  • Recusa em alimentar-se.
  • Vómitos ou fezes líquidas esverdeadas ou sanguinolentas
  • Convulsões
  • Manchas na pele tipo picada de alfinete que não desaparecem quando se pressiona com o dedo, ou nódoas negras de aparecimento súbito e agravamento progressivo.
  • Pele com palidez acentuada com tom acinzentado
  • O “bebé não parece bem”, etc.

Existe um conjunto de situações que podem ser confundidas com doença mas que geralmente são apenas alterações normais:

  • É normal o bebé perder peso nos primeiros dias, recuperando o peso de nascença cerca do 10º dia de vida;
  • Os soluços são frequentes na maioria dos bebés. Podem surgir com o frio ou no final da mamada pela dilatação do estômago e cedem espontaneamente.
  • O aumento de volume das maminhas é comum nos bebés recém-nascidos e desaparece espontaneamente ao longo do 1º mês sem qualquer tratamento.
  • As meninas podem ter uma secreção vaginal de cor branca ou mesmo sanguinolenta, o que é normal e desaparece em alguns dias;
  • Os meninos têm a fimose fisiológica (prepúcio cobre totalmente a glande), o que é normal, podendo manter-se até aos 6-8 anos. Não deve fazer retração do prepúcio pois é uma manobra agressiva e prejudicial.
  • A icterícia ou coloração amarela da pele do recém-nascido geralmente não é grave mas, se após a alta o bebé ficar muito amarelo ou continuar assim para além dos 15 dias de vida, deverá contactar o médico.
  • As fezes normais do bebé são habitualmente amarelas, pastosas, muito frequentes ao longo do dia e coincidentes com as mamadas;
  • As cólicas do 1º trimestre do lactente, ou choro vigoroso intermitente e inconsolável sem causa aparente, é uma situação comum que surge após a 3ª semana de vida e pode manter-se até ao 3º-4º mês. Ajude o seu bebé colocando-o ao colo de barriga para baixo fazendo uma leve pressão sobre o abdómen. A massagem do abdómen no sentido dos ponteiros do relógio e a flexão das pernas sobre o abdómen são manobras que também aliviam o bebé.
  • A regurgitação, ou seja o bolsar é comum na maior parte dos bebés;  

Para tratar a febre, se não for muito alta (menos de 39 °C no reto ou 38,5 °C na axila) e a criança não se sentir muito desconfortável, podem ser aplicadas apenas medidas físicas.
As medidas físicas procuram reduzir o excesso de temperatura sem usar medicamentos. Poderão ser usadas as seguintes:

  • despir as roupas em excesso;
  • tomar banho com água a menos um grau da temperatura corporal, cerca de 10 minutos, nunca em água fria;
  • dar muitos líquidos;
  • reduzir a atividade física e garantir que a temperatura ambiente é neutra, cerca de 22 graus.

Estas medidas geralmente dão resultado para febres baixas em doenças sem gravidade ou como complemento da medicação.
Se a febre for persistente, mais elevada ou mais desconfortável, poderão ser usados os chamados antipiréticos para a baixar. Lembre-se de ler bem os prospetos, considerando as doses e a frequência recomendada pelo seu médico.

O crescimento das crianças é actualmente definido em curvas de percentis, que muitas vezes são mal interpretados, causando grandes ansiedades aos pais.

O primeiro aspecto a clarificar é o que significam os percentis. São apenas medidas estatísticas que nos dizem qual a percentagem da população que tem um valor igual ou inferior.
Assim, partindo do princípio que uma criança tem um peso no percentil 25, isto não quer dizer que ela tem pouco peso, porque está abaixo do percentil 50. A única coisa que podemos concluir é que 25% da população de crianças saudáveis com aquela idade tem um peso igual ou inferior ao dessa criança.
O aspecto mais importante relacionado com as curvas de percentis é a evolução dos valores ao longo do tempo, ou seja, se os valores todos fazem uma curva semelhante à do gráfico. Um valor isolado dá muito pouca informação para tirar conclusões...
Deste modo, o percentil 10 não é pior do que o 50, tal como o 90 não é melhor ainda, pois são apenas medidas estatísticas. Dizer que uma criança é baixa ou magra só porque tem um percentil inferior ao 50 é muitas vezes um erro e é fundamental passar esta mensagem.
Apesar de o mais comum ser quantificar em termos de percentis apenas o peso, comprimento e perímetro cefálico, quase tudo se pode avaliar dessa forma. Alguns exemplos incluem: tensão arterial, índice de massa corporal, envergadura, tamanho do pénis, perímetro abdominal, ...
Se o seu filho apresenta uma descida nos seus percentis ao longo do tempo, vale a pena discutir esse assunto com o médico assistente. Na maior parte das vezes não terá grande significado, particularemente se só descer um percentil, mas se a criança cruzar 2 percentis (passar do percentil 75 do peso para o 10, por exemplo) é preciso mais cuidado na abordagem, porque nesses casos já pode fazer falta fazer algum tipo de investigação. Se não perguntar ao médico, vai ficar a pensar nisso eternamente, o que não é benéfico para si, para o médico e muito menos para o seu filho!
Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

Crianças (9)

Não existem respostas ou “receitas certas” para esta questão mas existem algumas orientações que podemos considerar.
Em primeiro lugar sabemos que os pais são sempre os primeiros modelos dos filhos. As crianças aprendem mais com o que vêm os pais fazer, do que com os conselhos que eles lhes dão: por isso, os pais têm de ter cuidado com o modelo de comportamento que têm e que expõem aos seus filhos. Ser coerente entre o que se diz e o que se faz perante as crianças dá-lhes segurança.
Em segundo lugar, na interação com os filhos os pais devem ter atenção a quatro aspetos centrais:
  • as regras/limites,
  • o elogio/reforço,
  • a disponibilidade,
  • a negociação.
1º Regras:
Os pais devem assegurar que as regras sejam claras e consistentes. As regras são para cumprir, sendo fundamental saber dizer "Não" quando se transgridem as regras previamente estabelecidas. Ter atenção que depois das regras estarem estabelecidas não faz sentido mudá-las de acordo com interesses momentâneos dos pais, mesmo quando estão prestes a sucumbir ao cansaço. As regras deverão mudar à medida que os filhos crescem e sobretudo, à medida que os filhos vão provando maior responsabilidade e capacidade para serem autossuficientes. Estas mudanças progressivas deverão ser feitas com diálogo e negociação, tal como se explicará no item “negociação”.

2º Elogios:
Os pais deverão elogiar e encorajar sistematicamente os aspetos positivos, os sucessos dos filhos, mas sobretudo deverão valorizar o seu esforço mesmo quando os resultados não forem positivos.
Todas as crianças têm virtudes que devem ser encorajadas. No entanto, também todas as crianças têm limitações que terão de ser toleradas e não criticadas, caso contrário, o futuro adulto padecerá de baixa auto-estima e assertividade.
Há que aceitar as limitações dos filhos, independentemente das expectativas. Ao fazê-lo, estaremos a amá-los e a dar-lhes o melhor de nós, permitindo que eles possam vir a ser o melhor que realmente poderão ser. A crítica é útil mas perde a sua utilidade se for a única forma de comunicação para com os filhos.

3º Disponibilidade:
A disponibilidade e o tempo de qualidade passado com os filhos determinam os vínculos, a confiança e o à vontade estabelecido entre uns e outros, facilitando a comunicação nos momentos de conflito e de tensão. É importante falar de tudo quanto os filhos queiram e mostrar-se disponível para o resto. A perceção que muitos filhos têm relativamente aos seus pais, quando estes se esquecem deles ou não se interessam pelas suas dúvidas, insucessos ou sucessos, tem repercussões graves na formação da personalidade da criança.
Muitas vezes os pais referem grande tristeza por não conseguirem ter mais tempo para os seus filhos: é verdade que a trepidação da vida moderna torna muito mais difícil ter tempo para os filhos. No entanto, felizmente a qualidade dos afetos é mais importante que a quantidade de tempo dedicado. O importante é estar mesmo disponível algum tempo para brincar ou falar com os seus filhos, mesmo que seja pouco tempo.
Uma recomendação possível, para ter alguma disponibilidade de qualidade quando chega a casa, poderá ser: tente planear o que tem de ser preparado em casa para o próximo dia ainda antes de chegar a casa (nem que seja ainda dentro do carro), de forma a estar imediatamente disponível os primeiros 15 min para a brincadeira quando entra; depois pode dizer-lhes que tem outra coisa para fazer mas volte a falar com eles à hora da refeição; continue a brincar ou interagir mais 15 min depois da refeição; reserve ainda mais 15 min para contar uma história antes da soneca.

4º Negociação:
Já referimos que as regras devem mudar de acordo com a idade dos filhos e sua maturação psicológica. Devem também ser explicadas aos filhos para eles perceberem a sua justificação e para aprenderem com os pais o conceito de justiça, respeito pelo próximo, diálogo e negociação.
No entanto, as explicações e eventuais negociações têm muito a ver com a idade.
Durante o primeiro ano de vida as crianças não entendem as explicações e não vale a pena sequer dizermos “não” a uma criança.
No segundo ano de vida, com os devidos limites e a tolerância que sempre temos que ter com uma criança pequena, já vale a pena ralharmos quando ela faz algo que não deve, mas é ainda impossível ela compreender as nossas explicações.
Só depois dos 2 anos de vida a criança poderá começar a compreender por que não deve fazer certas coisas, se as nossas explicações forem simples e adequadas à sua idade.
Claro que a negociação, com a imposição das regras através do diálogo e explicação das mesmas, irá tornar-se cada vez mais importante durante o crescimento da criança e será fundamental sobretudo na adolescência.
Neste processo de negociação, também os pais terão de aprender a aceitar os pedidos dos filhos.
À medida que os filhos provam ser capaz de aceitar regras, menos estas regras devem ser impostas: quando eles cumprem e se portam de acordo com os limites negociados e definidos pelos pais, então os pais devem recompensar os filhos com mais confiança e mais autonomia. Quando os filhos não cumprem as regras, devem ser corrigidos com menor autonomia, deixando sempre a possibilidade de no futuro voltar a recompensá-los.
Um exemplo de como esta “negociação” se poderá estabelecer, quando os adolescentes já são mais velhos, poderá ser o que se passa quando o nosso filho nos pede para ir a um bar ou a uma discoteca. Após conversarmos com ele, impomos que regresse à meia-noite a casa. Caso ele cumpra, é legítimo elogiá-lo e dar-lhe mais autonomia, nomeadamente a possibilidade de noutro dia poder regressar a casa um pouco mais tarde. No entanto, caso não cumpra, temos o direito e até o dever de o corrigir, não o deixando sair no dia seguinte.
Aos poucos pretende-se que os limites e regras deixem de ser impostos pelos pais e passem a ser os próprios filhos a fazer as suas próprias escolhas com total autossuficiência.
Desta forma iremos progressivamente promovendo-lhes a autonomia, dando-lhes oportunidades para aprender a decidir como um adulto. Estaremos assim não só a fomentar a sua própria auto-confiança como a confiança que nós, pais, temos neles.
Mais cedo ou mais tarde, o mundo será deles, não nosso, e convêm que eles não precisem de nós para tomarem decisões!

A autoestima é um sentimento de aceitação e apreciação de si mesmo que está intimamente ligada à sensação de valor pessoal.
As bases da autoestima são estabelecidas na infância, mas desenvolvem-se ao longo da vida.
Está intimamente relacionada com a imagem corporal, isto é, como nos vemos e sentimos com o nosso corpo, mas também está relacionada com a assimilação e internalização das opiniões que os outros têm sobre nós.
Uma boa autoestima permite-nos:

  • Sentir-nos mais satisfeitos com a nossa vida.
  •  Permite-nos lidar de forma mais positiva com os fracassos e os problemas (permite-nos reconhecer melhor as nossas próprias limitações).
  • Permite-nos comunicar melhor e fazer amigos, .
  • Permite-nos expressar melhor o que queremos e ser mais capazes de dizer não a convites incómodos.

A autoestima dos filhos promove-se:

  • Desenvolvendo as suas capacidades (por isso é util promover a atividade física, atividade musical, e todas as atividades lúdicas sempre em contexto de brincadeira com as outras crianças, sem caráter de obrigatoriedade severa e rígida).
  • Desenvolvendo a sua autonomia, promovendo que a criança comece a imitar os afazeres dos adultos nas suas brincadeiras e depois, progressivamente, que a criança comece tratando dos seus próprios afazeres ou os da casa (ajudando os pais com limites razoáveis). Promover sempre a autonomia impondo limites de segurança.
  • Elogiando as suas capacidades e o seu esforço, aproveitando todos os momentos para aplaudir o que eles fazem de bom.
  • Respeitando os limites dos filhos: todas as crianças têm limitações e não têm culpa de terem nascido com elas. As limitações dos filhos têm de ser respeitadas e quando muito devem as crianças ser encorajadas a terem atividades que as diminuam. Os adultos não devem culpar os filhos de não serem como eles querem. Os pais (ou os professores) que criticam frequentemente os seus filhos (ou alunos) e não têm uma palavra de encorajamento relativamente ao que eles têm de bom, cometem um grave erro! Repete-se: há que elogiar sempre que possível, sobretudo o esforço e desde que haja coerência, evitando o elogio gratuito e deste modo, a sua banalização!

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O sono existe para que o cérebro possa descansar, sonhar, fornecendo às crianças, energia para aprender, brincar e serem felizes. Se elas não dormem bem, o seu comportamento é essencialmente inquieto, têm dificuldade para aprender e podem até ficar irritadas, porque o cérebro está cansado. Enquanto as crianças dormem, o seu cérebro trabalha muito, desempenha funções importantes que enquanto acordadas, não estão activas. O cérebro enquanto dorme interfere no crescimento, fortalece o corpo e permite-lhe que seja mais saudável. Quando se diz que “dormir faz crescer”, não passa de uma afirmação popular, é mesmo verdade que enquanto se dorme são segregadas hormonas, como a do crescimento.
Um bom sono é vital para a saúde da criança, pois participa na defesa contra agentes patogénicos, tendo um grande impacto no fortalecimento do sistema imunitário. O cérebro enquanto dorme descansa para que durante o dia esteja preparado para solucionar problemas, memorizar, brincar e aprender. Além disso, o sono permite que a criança esteja mais tranquila, menos irritada e que conviva melhor com os outros.
A par das novas exigências da sociedade, existem cada vez mais crianças com hábitos de sono inadequados, dos quais se podem mencionar a dificuldade em adormecer e/ou os despertares nocturnos frequentes que conduzem à exaustão dos pais e até a um ambiente de tensão e irritabilidade no seio da família.
Sabemos hoje que os problemas de sono na infância dependem muito do comportamento de cada um de nós, por isso, considera-se a higiene do sono (bons hábitos) como determinante para solucionar muitos dos problemas de sono que não têm causa fisiológica.
Tendo em conta o quanto é importante para as crianças dormirem bem, não deixe para amanhã aquilo que pode começar a cuidar hoje, pois ao contrário do que se costuma dizer, nem tudo melhora com o tempo e se é possível ajudar o seu filho a dormir melhor a partir de hoje, deve procurar ajuda.
Psicóloga Teresa Sousa, Especialista em Ritmos de Sono
Está comprovado que existe uma associação benéfica entre a aprendizagem da música e a aprendizagem da matemática, das línguas e do desenvolvimento doutras capacidades intelectuais e até emocionais!
É por isto que os pais devem fazer o possível para que os seus filhos aprendam música, mesmo que eles não tenham habilidade para a mesma. Não se pretende que os filhos sejam bons músicos: pretende-se apenas que eles desenvolvam habilidades que ultrapassam em muito a própria música!

Poderá ler aqui um nosso artigo mais extenso sobre o assunto que lhe dará informações sobre como iniciar esta aprendizagem.
Uma das melhores coisas que podemos tentar dar aos nossos filhos é a saúde, tanto física como mental. E talvez o mais importante meio para o fazer, seja promover o desporto e a prática de atividade física regular!

Isto porque todas as crianças gostam de pular, correr e saltar, e deve-se aproveitar esta energia natural para que ela se divirta! É importante criarmos filhos felizes!

Por outro lado, o desporto dá autoestima, ensina a socializar, incute regras e disciplina e, finalmente, ao contrário do que se poderia pensar, o desporto melhora também o desempenho intelectual e escolar!

Relativamente à saúde física é conhecido o impacto que a atividade física tem na diminuição das doenças cardíacas e cerebrovasculares e na diminuição da osteoporose nos adultos, quando se inicia o desporto ainda em criança. No caso específico da osteoporose, sentida sobretudo na velhice, é sabido que é na infância e adolescência que o desporto pode ter um grande benefício!

Para além destes benefícios, podemos ainda referir a prevenção da obesidade e diabetes, a redução da ansiedade e depressão, a melhoria da qualidade do sono, e evidentemente o aumento da agilidade, força, reflexos e correção de eventuais defeitos físicos.

Apesar de tudo, temos de estar conscientes da necessidade de ter precauções com as crianças (limites máximos de carga permitidos, correção de más posturas, etc.), e por isso é importante que o desporto seja praticado com a supervisão de professores especializados.

No caso das crianças mais novas, elas devem sobretudo divertir-se enquanto praticam o desporto. Considera-se que a competitividade e a especialização desportiva é prejudicial antes dos 6 anos. Nestes primeiros anos a criança deverá sobretudo brincar e jogar com gosto!

Quando ainda no primeiro ano de vida, muitas brincadeiras podem ser feitas pelos pais e educadores, para incentivar a atividade física.

Fora de casa, o melhor “desporto” para os muito pequeninos parece ser a natação ou, melhor dizendo, as atividades em meio aquático, devidamente orientadas por um técnico habilitado. Estas atividades são indicadas até para bebés de poucos meses!

Passado pouco tempo, pelos 3 anos, a dança e a ginástica com as suas corridas, saltos e exercícios de equilíbrio são também muito adequados, desde que ainda e sempre de uma forma lúdica e adaptada às características da idade.

Após os 5 anos e até aos 11 anos, é aconselhável que a criança pratique vários desportos, eventualmente um individual e outro em grupo.

Entre as várias opções disponíveis, deverá escolher aquela que a criança mais gosta e que poderá realizar-se mais perto de casa, para lhe permitir ter ainda tempo para estudar ou brincar.

Para os muito irrequietos, desportos individuais como o atletismo ou a natação podem ser uma boa escolha (no entanto, embora o atletismo seja um desporto muito completo, recomenda-se em geral a sua iniciação após os 7 anos de idade).

Para os muito perfecionistas recomenda-se atividades individuais onde a perfeição individual dos movimentos é importante, como a ginástica, ténis ou artes marciais.

Os desportos de equipa, como o futebol e basquete, são também altamente recomendados, pois ajudam a desenvolver as regras, a saber respeitar os adversários e a trabalhar em equipa.

Não são recomendados os desportos que envolvam algum risco para a criança, como é o caso do boxe, o esqui aquático, o alpinismo, exceto se forem praticados com uma grande supervisão.

Em resumo, geralmente os especialistas recomendam:
- Em geral, em qualquer desporto, as crianças com menos de 7 anos, devem ter espírito de participação e divertir-se.
- Evitar a competição até aos 12 anos, pelo menos.
- Especializar-se num desporto muito cedo não é bom.
- Se pratica um desporto individual, é aconselhável que pratique também um desporto de equipa para completar, pois enriquece ainda mais a criança.
- Evitar tanto a inatividade física como a carga de trabalho excessiva.
- Deve providenciar um acompanhamento médico ao seu filho, especialmente se este compete.
- Considerar sempre as inclinações e gostos da criança.

O Transtorno do Défice de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio de desenvolvimento neurológico mais comum na infância. O TDAH deve-se à interação de fatores genéticos com fatores ambientais. Este transtorno na infância e na adolescência é caracterizado por falta de atenção, excesso de atividade em relação à idade, e baixo controlo da impulsividade.

Para se falar deste transtorno numa criança, é preciso que os sintomas surjam antes dos 7 anos e persistam pelo menos 6 meses, aparecendo em dois ou mais contextos. O TDAH interfere com a vida social e académica da criança. Nalguns casos predominam ou há apenas sintomas de desatenção, sendo os mais difíceis de diagnosticar, e noutros, prevalecem os sintomas de hiperatividade e impulsividade.

O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. Não existe nenhum tratamento que cure efetivamente a doença. A escola, o pediatra, e a família devem trabalhar em conjunto para ajudar a criança a atingir o seu máximo potencial e a reduzir o impacto da doença em todas as áreas: em casa, na escola, locais de lazer, etc. Deve também ter controlos clínicos regulares para verificar a eficácia do tratamento, e caso contrário, procurar tratamentos alternativos.

A qualidade de vida depende da intensidade dos sintomas de TDAH e de outros transtornos que podem estar associados como o distúrbio de oposição desafiante, ansiedade ou depressão, o risco de acidentes e distúrbios de aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem e o desempenho escolar podem ser comprometidos progressivamente consoante aumentam as exigências académicas.

As funções básicas mais afetadas em crianças com Transtorno de Défice de Atenção com ou sem hiperatividade são:

  • a memória de trabalho não verbal, que permite reter informações
  • a capacidade de pensar antes de agir
  • a autorregulação das emoções, ou seja, a contenção de reações afetivas
  • a adaptação de um comportamento para um determinado fim.

Por todas estas dificuldades, as crianças com TDAH têm uma sensação de fracasso e revelam uma rejeição emocional pelas tarefas escolares. Melhorar o rendimento académico é um dos objetivos mais valorizados por estas crianças, melhorando a sua autoestima.

 

 

O ser agitado pode ser algo da personalidade da criança, mas também da própria fase do desenvolvimento, que pode ser mais agitada.
Isto é normal e seria estranho se a criança estivesse parada e quieta.
No entanto, existem causas que provocam maior agitação, muitas vezes relacionadas com questões pedagógicas ou com o tratamento afetivo e educacional da criança.
Por exemplo, certifique-se que existe calma e união no ambiente familiar (pai e mãe devem estar de acordo: se um condena e o outro permite, não é bom pois confunde a criança e promove maior “agitação”).
Coloque limites razoáveis ao comportamento do seu filho, pois as regras servem de contenção e diminuem a agitação. Por exemplo, se a criança está sempre a chamar a atenção sobre si, falando alto e interrompendo os adultos para se fazer atendida, necessita de alguma contenção.
Evidentemente esta contenção ou imposição de regras tem de ser adaptada à idade e personalidade da criança. Se a contenção for exagerada, pode tornar-se tão contraproducente como a sua ausência.
Na imposição de regras tem-se que por vezes advertir a criança, mas aqui deve-se evitar os castigos físicos e as humilhações, injustiças e comparações que firam profundamente a criança e originem reações “agitadas”.
Também a carência de relações afetivas, situação em que os pais não corrigem os filhos mas também não revelam interesse pelos seus problemas, constrói um vazio na criança que ela tende a preencher através de permanentes chamadas de atenção, numa permanente turbulência não só em casa, como também, frequentemente, na escola.
Outra situação que poderá causar agitação é a sobreposição de estímulos e tarefas para a criança, muitas vezes numa tentativa bem-intencionada dos pais em promover o melhor desenvolvimento possível dos filhos. É muito importante estimular os nossos filhos, mas devemos respeitar as suas naturais limitações, não os obrigando a uma corrida angustiante em direção ao perfecionismo. Aqui devemos, nós, pais, fazer a nossa própria contenção e aceitarmos as limitações dos nossos filhos assim como aceitamos as nossas...
Finalmente, será bom incluir atividades desportivas para extravasar a energia acumulada.
Para os muito irrequietos, desportos individuais como o atletismo ou a natação podem ser uma boa escolha (mas enquanto a natação pode ser iniciada logo em bebé, o atletismo recomenda-se em geral só após os 7 anos de idade).
Entre as várias opções desportivas disponíveis, o mais importante será escolher a que a criança mais gosta e que poderá realizar-se mais perto de casa, para lhe permitir ter ainda tempo para estudar ou brincar. O mais importante é a diversão, nunca a competição, sobretudo quando são pequenos.
Nos tempos livres poderão também ser recomendadas tarefas tranquilizadoras como colecção de selos, jogos de paciência, palavras cruzadas, músicas harmoniosas e calmas, etc.
Tenha atenção às horas de sono do seu filho: devem seguir horários regulares, inclusive aos fins-de-semana. Pais e mães também devem dar o exemplo, favorecendo um ambiente descontraído no final da tarde. A televisão deve ter o som relativamente baixo, pois caso contrário obriga a que todos falem mais alto e no fim, acaba por elevar todo o nível de agitação da casa!
Não esquecer que todas as atividades baseadas em monitores eletrónicos, como ver filmes na televisão ou videojogos, são excitantes e por isso devem ser evitadas até uma hora antes do dormir. Os próprios conteúdos dos filmes de aventuras podem ser demasiado agitados para a criança ver antes de adormecer.
Se tiver que ser, redobre nas doses de amor e paciência!
Deixamos aqui alguns links onde poderá ler mais sobre a temática:
http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/desporto-para-criancas
http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/o-seu-filho-quer-sua-atencao
O bruxismo é o hábito de ranger os dentes e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido. Daí a sua importância em haver uma intervenção precoce.
Esta é uma patologia de tipo multifatorial, que abrange adultos e crianças, com características clínicas e etiologia bastante variável. As causas poderão estar relacionadas a fatores psicológicos, como tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e stress.
Estará o seu filho a debater-se com alguma mudança, poderá estar relacionado com a mudança de escola, alguma situação familiar ou uma eventual cobrança excessiva para se sair bem em alguma tarefa?!
Um especialista dentista poderá esclarecer ainda que o bruxismo pode causar, além de desgaste dos dentes, problemas na gengiva, na articulação da mandíbula, dores de cabeça e até dor de ouvido e dores na nuca. Fatores sistêmicos como rinite, alergias respiratórias e dormir de boca aberta podem contribuir e causar o bruxismo nas crianças.
A recomendação é que os pais consultem um dentista odontopediatra para acompanhar o crescimento e erupção dos dentes da criança. Dessa forma, é possível fazer um diagnóstico precoce e correto, diminuindo ou até evitando problemas futuros.
O tratamento do bruxismo é simples, dependendo da causa diagnosticada. Geralmente, são feitas restaurações nos dentes, uso de aparelhos dentários relaxantes, indicação de técnicas relaxantes e remoção dos fatores desencadeadores de stress, relacionados muitas vezes com altos níveis de exigência
A prática de desporto ou de qualquer hobbie ou atividade de lazer também são uma boa forma de tratamento. Dependendo do caso, um acompanhamento psicológico poderá ser necessário. Todo o tratamento deve ser feito sob a orientação e acompanhamento de um profissional da saúde especializado.
Depende da maturidade da criança.
Antes dos 6 anos parece-me muito precoce, mas a partir dessa idade pode fazer algum sentido. Com as crianças mais pequenas, a mesada/semanada não tem o propósito de lhes dar nenhum tipo de autonomia financeira, mas sim de os responsabilizar pelo gasto e poupança de dinheiro e para eles perceberem que a vida tem custos. Teria que ser um valor simbólico, apenas de carácter pedagógico e que sirva para eles valorizarem o dinheiro de forma diferente.
 
Na adolescência a questão já começa a ser um pouco diferente. Há também, como é óbvio, a vertente pedagógica da poupança, mas aí faz algum sentido trabalhar também a autonomização e responsabilização dos jovens, pois a adolescência é uma transição para a idade adulta e esses são processos que têm que ser desenvolvidos nesta idade. As solicitações na adolescência são muitas e é importante que os jovens saibam lidar com elas de forma sensata, equilibrada e que aprendam a fazer as suas escolhas de acordo com as circunstâncias de cada um.


Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
Recomendamos também a consulta do artigo do programa aqui.

Na adolescência, começam os namoros e relacionamentos com outras pessoas que vão além da amizade e do companheirismo. Nesta fase, estes namoros poderão ser românticos, emocionantes e podem provocar sentimentos positivos muito intensos. Mas, às vezes, também podem ser complicados e provocar sentimentos negativos muito dolorosos, por isso:

  • É importante passar aos adolescentes a mensagem de que os relacionamentos passam por momentos positivos e negativos, mas só merece a pena manter uma relação quando esta traz mais coisas positivas que negativas.
  • Lembrar que vale a pena ser exigente com as pessoas com quem têm uma relação.
  • Incentivar a pensar nas qualidades que eles querem para os seus amigos, para que possam procurar conscientemente essas qualidades nas pessoas que escolhem para namorar.
  • Se ainda não iniciaram um namoro, recomendar que não tenham pressa. Não iniciar um namoro não faz de dele uma pessoa menor que os outros.
  • Quando começarem um namoro que não está a correr bem ou não os faz sentir bem, devem ser capazes de o terminar.


Quando falamos em namoro, falamos também em sexualidade, que é um aspecto inerente a todos nós e por isso também aos nossos filhos.
A sexualidade, tal como o namoro, está relacionada com a expressão de emoções, sentimentos e afetos, com a capacidade de dar, receber e partilhar, pelo que a sexualidade saudável está relacionada com relacionamentos saudáveis, associada a emoções, sentimentos, afetos e partilha saudável.  Por isso devemos aceitar a sexualidade e o namoro com naturalidade, não fugindo das questões que os filhos nos possam colocar, respondendo-lhes com simplicidade e de acordo com a sua faixa etária.
As recomendações anteriores sobre a importância de não ter pressa, manter só as relações positivas e saber acabar com os namoros que correm mal, devem ser sempre lembradas, assim como a informação sobre os métodos contracetivos e a prevenção das infeções sexualmente transmissíveis.
Como frequentemente os filhos não se sentem à vontade para falar com os pais sobre o assunto, uma boa alternativa é orientá-los para os serviços de saúde que podem aconselhá-los ou dar-lhes bibliografia credível (livros e páginas na internet) que eles possam ler. O website da APF (Associação para o Planeamento da Família) tem informação útil e credível sobre o assunto e nós próprios temos na nossa Biblioteca, na secção dos Adolescentes, publicações da APF que podem ser consultadas.

Por vezes os pais heterossexuais têm um receio muito grande de os filhos serem homossexuais.
Frequentemente são receios que podem surgir quando a criança brinca com brinquedos que tradicionalmente são considerados típicos ao outro sexo ou, na pré-adolescência, quando a criança prefere um amigo íntimo do mesmo sexo como companheiro de todas as horas. Tudo isto são fases transitórias que não devem ser sobrevalorizadas pelos pais e nada têm a ver com a orientação sexual.
Mas… e se o seu filho (ou filha) for mesmo homossexual? O que fazer?
A resposta mais curta para esta pergunta é… nada!
A orientação sexual não é uma escolha do próprio! Se o seu filho (ou filha) é homossexual ele não escolheu, tal como você é heterossexual e também não escolheu…
Se você é um pai heterossexual que não quer ter um filho ou filha homossexual, tem de compreender que não pode pedir-lhe que deixe de ser o que é. Ele ou ela não têm opção! Só você tem opção: pode amá-lo/a tal como ele/a é, ou não…
Os homossexuais são pessoas frequentemente tão brilhantes como os heterosexuais e que que deram e dão à Humanidade contributos extraordinários, mas que também podem ser muito infelizes porque frequentemente são rejeitados pelos próprios pais assim como pelo resto da sociedade.
Os pais não podem evitar as humilhações que outros possam fazer aos filhos, mas podem evitar ser os primeiros a humilhá-los. Pelo contrário, deverão ajudar os seus filhos na preparação para as dificuldades que esta orientação sexual lhes poderá dar no futuro, tal como deverão fazer para qualquer filho, contribuindo para que desenvolvam competências para lidarem com todas as situações desafiantes.
O mais importante é entender que os filhos não têm opção. Só os pais podem optar ou pela opção correta (aceitar e amar os filhos) ou pela opção errada (rejeitar os filhos, com todas as consequências nefastas para eles, para os pais, e para toda a sociedade).
Experimente fazer uma pesquisa e vai ficar admirado com a quantidade de homossexuais extraordinários que contribuíram positivamente para a nossa sociedade!

É importante conversar com nossos filhos sobre como são os relacionamentos saudáveis. Quando num relacionamento, as pessoas se gostam, desfrutam mutuamente da companhia um do outro, e se tratam com respeito, trata-se de um relacionamento saudável.

As principais características de um relacionamento saudável são:

- Sentir-se confortável na companhia da outra pessoa, fazendo coisas em conjunto.

- Ser capaz de realizar atividades separadamente, mantendo o espaço próprio de cada um, gostos, amizades e relacionamentos familiares.

- Respeitar as opiniões dos dois como sendo ambas importantes, mesmo quando diferentes.

- Perante os conflitos, as soluções deverão ser encontradas através do diálogo e da negociação, e nunca por imposição.

- Comunicar com a outra pessoa sempre com respeito

- Ter relações sexuais de mútuo acordo. Aceitar o NÃO sem qualquer problema, é parte de uma relação saudável.

- Ser responsável pela nossa própria vida, e ter consciência que a nossa felicidade não depende exclusivamente de outra pessoa.

- Apoiar o parceiro nos seus projetos.

- Reconhecer que homens e mulheres têm direitos iguais e merecem igual respeito.

 

Depende...
Em princípio, se uma criança não tiver queixas não precisa de ir a um ginecologista, mas na adolescência pode já não ser bem assim. De um modo geral, a primeira ida ao ginecologista (ou médico de família, nas consultas de planeamento familiar) deveria ser antes da adolescente iniciar a vida sexual, o que levanta aqui alguns problemas práticos, nomeadamente a questão da partilha dessa informação com os pais, ao solicitar a consulta.
 
Para evitar esses constrangimentos, eu diria que os pais devem estar atentos e, quando começarem a perceber que a filha está a pensar iniciar a sua vida sexual, devem convencê-la a ir a um ginecologista sob o pretexto de saber se está tudo bem. Claro que essa consulta deve obrigatoriamente ter um momento a sós com o médico para abordar alguns assuntos pessoais e, desse modo, poder preparar uma vida sexual saudável, sem receios e devidamente protegida.
Se a criança/adolescente tiver alguma queixa do foro ginecológico, deve antecipar essa visita para tentar resolver o problema existente.
 
Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

Na adolescência, há um atraso do início do sono e uma maior necessidade de dormir. Esta condição pode levar à irritabilidade, dificuldade para acordar e diminuição do desempenho escolar (nas primeiras horas de aula). Algumas dicas:

· Devem seguir horários regulares, inclusive aos fins-de-semana.

·Exposição à luz intensa pela manhã (adianta o sono).

·Evitar atividades uma hora antes de dormir (videojogos, estudo, telemóvel, internet…). Não deve ver televisão para dormir (esta não deve estar no quarto)

·Não consumir estimulantes (cafeína, coca-cola…).

·Praticar exercício físico regular.

·Pais e mães também devem dar o exemplo, favorecendo um ambiente descontraído no final da tarde.

A adolescência é uma etapa especialmente vulnerável para iniciar o consumo de tabaco. Aproximadamente, metade dos rapazes e das raparigas de 16 anos já o terão provado alguma vez.

O papel dos pais e das pessoas adultas é fundamental. O início do consumo pode ser por imitação de condutas, sendo habitual conseguir os primeiros cigarritos em casa.

Uma boa forma de ajudar o seu filho ou filha adolescente é fomentar as suas habilidades sociais, a sua capacidade de dizer “não” e de resistir às pressões dos seus amigos e colegas.

Nesta fase da adolescência, deve “munir-se” dos argumentos certos: afinal, já não é considerado atraente fumar-se, precisamente porque fará com que a pele brilhe menos, se tenha mau hálito, mau odor corporal e de cabelo, pior capacidade pulmonar, podendo afetar negativamente a sua virilidade.

Uma vez que se adquire o hábito de fumar, deixá-lo não é fácil. As tentativas para parar envolvem um grande esforço e são acompanhadas por irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, fadiga e aumento de apetite, o que tende a acalmar precisamente se fumar. Assim, é difícil de quebrar o ciclo.

Existem muitas mais razões para não fumar: sérios danos para a saúde, rendimento físico, questões estéticas e gasto económico adicional. É importante que facilitemos informação adaptada aos interesses e atitudes dos adolescentes antes que o consumo comece.

 

Para prevenir o consumo de drogas e álcool nos seus filhos, recomenda-se:

- Que se sintam bem em família, promovendo a participação entre todos os membros, demonstrando-lhes o seu carinho, assim como deverá ensiná-los a valorizar a sua própria individualidade.

- Ouvir e argumentar quando não concordar com a sua opinião.

- Acompanhar o seu desempenho escolar e atender aos problemas que possam surgir no seu desenvolvimento.

- Ajudar e facilitar a comunicação com os outros, procurando que aprendam a saber esperar.

- Informar os seus filhos sobre a prevenção do consumo de drogas e álcool desde os 10/11 anos, com veracidade e credibilidade, doseando a informação de acordo com a sua idade. Não lhes oculte informações que possam afetá-los agora ou no futuro.

- Explicar com clareza porque os menores não devem beber: é ilegal a venda de álcool a menores; provoca danos no seu desenvolvimento orgánico e emocional.

- Evitar adotar medidas de coação, sem raciocinar, que limitem a sua liberdade abusivamente, ou pelo contrário manter posturas excessivamente permissivas.

- Seja coerente entre o que diz e o que faz. Por exemplo, alertar sobre os riscos do álcool ao seu filho ou filha e beber em excesso.

- Procure que não existam contradições, relativamente à educação dos seus filhos, entre pais e mães.

 

O vício do jogo ou o jogo compulsivo é uma doença em que as pessoas são motivadas por um desejo incontrolável de jogar, que evolui de intensidade e na urgência de consumir cada vez mais ao longo do tempo, consumindo simultaneamente, a energia e outros recursos emocionais e materiais de que a pessoa dispõe.

Ao contrário de outros vícios, a vontade de jogar induz à persistência de uma atividade e não no consumo de uma substância.

Recomenda-se evitar:

- Um uso superior de duas horas diante da tela dos videojogos ou da internet

- Incitar ou estimular o uso de “caça-níqueis”.

- Usar a televisão como “babysitter”.

- Que o seu filho abandone outras atividades (estar com os amigos, passear, fazer desporto) para passar mais tempo diante da tela.

- Centrar as suas próprias atividades de tempo livre, com a família, em atividades relacionadas com o jogo.

Para além disso, aconselha-se a procurar:

- Realizar atividades de ócio alternativas.

- Participar nas tarefas escolares, para fomentar a comunicação.

- Ver a televisão juntos, para desenvolver o seu espírito crítico.

- Saber quanto e no que gasta o dinheiro, para ajudá-lo no controlo dos seus impulsos.

- Fomentar o jogo participativo.

- Ensinar os seus filhos a aceitar uma negativa, para aumentar o seu nível de resistência à frustração.

- Mostrar-lhe afeto e carinho.

Se o seu filho ou filha se irrita excessivamente quando lhe interrompe a sua atividade diante da tela ou a utiliza de maneira sistemática para evadir-se dos conflitos quotidianos, preste-lhe atenção, e se lhe parecer necessário, solicite ajuda profissional.

Depende da criança, mas na maior parte das vezes podem.
A intolerância à lactose é uma situação em que as pessoas não conseguem digerir o açúcar presente no leite (lactose) e, como tal, ficam com dor de barriga, barriga inchada ou diarreia.
A solução nesses casos passa por retirar a lactose da dieta, ou seja, evitar todos os alimentos que a contenham. Pode-se utilizar um leite sem lactose e, para as crianças, ter o cuidado também de só dar papas não lácteas e fazê-las com esse leite específico. Já em relação aos iogurtes e ao queijo, a questão é um pouco diferente. Esses alimentos contêm pouca lactose, uma vez que são fermentados no seu processo de fabrico, pelo que a maior parte das vezes as crianças podem comê-los, sem nenhum tipo de desconforto e costuma ser essa a recomendação.
No entanto, se mesmo assim os sintomas se mantiverem, a solução passa mesmo por experimentar iogurtes também sem lactose, pois pode haver crianças que têm uma intolerância completa, o que não lhes permite sequer consumir os iogurtes normais.
Assim, em jeito de conclusão, a resposta é afirmativa (podem comer iogurtes normais), mas se não os tolerarem devem-se testar os iogurtes sem lactose, para ver se têm mais efeito.
Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015
Hoje em dia existem recomendações das principais sociedades científicas sobre a introdução do leite de vaca ("de pacote") na alimentação das crianças, pelo que a resposta a esta questão acaba por ser mais ou menos clara.
Introduzir esse tipo de leite antes dos 12 meses de idade é neste momento considerado errado, pelo que é algo completamente desaconselhado.
A partir daí é permitido, embora o ideal seja manter o leite materno ou então um leite adaptado ("em pó") até aos 3 anos, uma vez que é um período em que ocorre um grande crescimento e desenvolvimento das crianças. As principais vantagens deste tipo de leite relativamente ao leite de vaca são as seguintes:
- tem menos proteínas
- as proteínas que tem são mais adequadas ao crescimento das crianças
- é suplementado em ferro
Apesar de não ser o ideal, se mesmo assim a opção for a de introduzir o leite de vaca, deve-se preferir um leite gordo até cerca dos 2 anos e depois passar para um leite meio gordo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

O bebé deve ser amamentado em exclusivo até aos 6 meses, porque:

  • O leite da mãe é o mais adequado para a alimentação do seu filho. Na mesma mamada e no decorrer do tempo, a sua composição altera-se de acordo com as necessidades do bebé, protegendo-o de doenças várias (diarreia, otites, pneumonias, asma alergias, obesidade, etc.) e favorece o desenvolvimento intelectual.
  • A recuperação da mãe após o parto também é mais rápida (há menor risco de hemorragias pós-parto) e diminui o risco de cancro da mama, dos ovários e de osteoporose.

 

Após os 6 meses é necessária a introdução de outros alimentos, tais como as sopas, a fruta e as papas de forma gradual. No entanto, recomenda-se sempre que possível manter a amamentação até aos 2 anos de idade.

  • Nos primeiros 2 dias após o parto, o leite materno chama-se colostro e é muito rico, pelo que cobre as necessidades do bebé. Depois ocorre o aumento súbito da produção de leite, denominada «subida do leite». Gradualmente estabelece-se o equilíbrio entre a produção e o que o bebé precisa.
  • O principal estímulo para a produção do leite é a sucção, por isso quanto mais vezes o bebé mamar e esvaziar a mama mais leite se produz;
  • No início da amamentação é importante que não sejam oferecidas chupetas e tetinas uma vez que interferem com a eficácia da sucção;
  • O seu filho está certamente a receber todo o leite que necessita se larga espontaneamente a mama, se aumenta de peso, se tem mais de 6 micções nas 24 horas, e se a mama inicialmente cheia, fica mole no fim da mamada;
  • O seu leite tem água suficiente para as necessidades do bebé. Se ele tiver sede vai pedir para mamar. Se amamenta, não lhe dê água até à introdução de outros alimentos.
  • Se necessitar ficar longe do seu bebé, pode extrair o leite com uma bomba e quem cuidar dele pode alimentá-lo. O leite materno pode ser extraído e conservado refrigerado até 48 horas ou congelado durante 2 semanas e até 3-6 meses, dependendo do tipo de congelador.
  • Escolha um ambiente tranquilo e uma posição confortável, deitada ou sentada com as costas apoiadas;
  • Amamente o seu bebé quando ele mostrar os sinais precoces de fome: ainda a dormir começa a mexer-se no berço, começa a salivar parecendo que está a mastigar e leva as mãos à boca. O choro é já um sinal tardio e por vezes é preciso acalmar primeiro o bebé antes que ele consiga mamar.
  • Leve o bebé à mama e não o inverso.
  • Coloque o bebé de frente para a mama (barriga com barriga), mantendo a cabeça do bebé alinhada com o resto do corpo; com o nariz ao nível do mamilo, estimule a abertura da boca.
  • Quando o bebé pega bem, ficará com a boca bem aberta, queixo junto à mama, lábio inferior virado para fora e a aréola será mais visível acima do lábio superior do que do inferior.
  • Se sentir dor ao dar de mamar procure apoio, pois com a observação pode ser detetada a razão do desconforto, o qual se prende habitualmente com a posição da mãe e do bebé e /ou com a pega.
  • Dê de mamar quando o bebé solicitar. Nos primeiros dias os bebés mamam cerca de 10-12 vezes ao dia.
  • Dar de mamar durante a noite favorece a produção de leite.
  • A composição do leite materno é diferente do início ao fim da mamada, pelo que só deve oferecer a segunda mama, após esvaziar bem a primeira. Na mamada seguinte comece pela mama que deu em último lugar.
  • Para retirar o bebé da mama, introduza o seu dedo mindinho no canto da boca do bebé para parar a sucção e empurre para trás o seu mamilo, evitando assim o estiramento e a dor.
  • Se o bebé estiver bem adaptado à mama nem sempre necessita de arrotar.
  • Lave as mamas uma vez ao dia durante a sua higiene habitual;
  • Mantenha os mamilos secos; o uso de protetores impermeáveis pode ser prejudicial.

Amamentar é natural mas requer aprendizagem. Por vezes surgem obstáculos que são ultrapassáveis com o apoio de profissionais com formação específica (p. ex., nos Cantinhos da Amamentação).

Nos raros casos em que a amamentação não é possível ou é insuficiente, o médico deve aconselhar o leite artificial adequado e os cuidados na sua preparação.

Durante os primeiros dias após o nascimento, ficará internada no serviço de obstetrícia, onde lhe darão alguns ensinamentos essenciais para o regresso a casa.

Aquando da alta deverá marcar consulta com o médico assistente na 6ª semana após o parto, onde se decidirá o método contracetivo mais apropriado. Alguns cuidados importantes:

 

  • Mantenha o seu duche diário;
  • Faça a lavagem exterior do períneo ao mudar o penso e após evacuar e enquanto tiver perdas de sangue;
  • Não use tampões nem faça irrigações vaginais;
  • Na higiene das mamas basta a lavagem diária no duche; evite aplicação de pomadas; massaje os mamilos com o próprio leite após as mamadas;
  • Mantenha o suplemento de ferro;
  • Pode iniciar a pílula própria para mamãs que amamentam à 4ª semana após o parto;
  • A atividade sexual pode ser retomada aproximadamente à 5ª semana após o parto, de preferência após a Consulta de Revisão do Puerpério e aconselhamento sobre o melhor método contracetivo.

 

Deverá dirigir-se ao Serviço de Urgência se ocorrer:

• Febre.

• Aumento marcado das perdas de sangue.

• Dor mamária intensa ou mamas com sinais inflamatórios.

• Dor abdominal intensa de início súbito.

• Agravamento progressivo de dores a nível do períneo.

 

Nas primeiras semanas depois do nascimento do bebé, será normal que as mães se sintam um pouco cansadas.

Poderá também sentir-se confusa, com sensação de não conseguir cuidar do bebé, abatida e com uma sensação de tristeza, exatamente no momento em que todos os restantes familiares se sentem eufóricos. Não deve sentir-se culpada, pois estes sentimentos podem ser causados pelas alterações hormonais ocorridas após o parto. Fale sobre o que está a sentir com o seu médico ou enfermeira.

Alguns conselhos para a mamã:

  • Solicite ajuda para as tarefas domésticas de forma a poder dedicar-se mais ao seu bebé.
  • Descanse o mais que puder, fazendo coincidir os seus sonos com os sonos do bebé.
  • Tenha uma alimentação variada.
  • Procure pôr-se bonita, arranje-se; isso ajudá-la-á a ficar mais bem-disposta.
  • Tente sair com regularidade para dar um passeio a pé. O ar fresco e o exercício fazem maravilhas e a maioria dos bebés também aprecia estes passeios. Deve evitar atividades com impacto (saltar, correr) nos primeiros 2 meses. No nosso website tem informações sobre alguns exercícios que pode e deve fazer.
  • Faça uma alimentação variada, com poucas gorduras, mas muita fruta e verduras.
  • Beba 3 a 4 copos de leite meio gordo ou gordo por dia (neste período é preferível ao leite magro) ou equivalentes.
  • Beba à volta de 2 litros de água por dia.
  • Não beba bebidas alcoólicas.
  • Evite café, chá e outras bebidas estimulantes em excesso.
  • Os medicamentos mais frequentemente receitados às mães lactantes são compatíveis com a lactação, no entanto se necessitar de fazer medicação consulte o seu médico.
É uma situação que ocorre em mais de 30% dos bebés, geralmente após a 2ª semana de vida e até ao final do 3º mês e parece estar associada a cólicas na barriga.
A criança tem períodos de choro, fecha os punhos, esperneia, faz caretas de dor e tem gazes, geralmente durante a tarde ou à noite e costuma melhorar quando lhe pegamos ao colo.
Evidentemente não está associado a outra sintomatologia de doença mas é importante obter o conselho do pediatra para descartar qualquer outro problema.

Para ajudar o bebé aconselham-se várias manobras:
• Coloque o seu bebé ao colo, mas de barriga para baixo, fazendo uma leve pressão no abdómen;
• Faça massagem na barriga do bebé de maneira circular desde o umbigo para fora, em direção dos ponteiros do relógio (eventualmente com ajuda de um óleo ou creme);
• Faça flexão das pernas do bebé sobre a barriga.
• Dê um banho ao bebé, ajudará a relaxar, e a seguir poderá eventualmente massajar o abdómen do bebé
• Podemos estimular também o esfíncter anal com a aplicação ao redor do esfíncter de um pouco de vaselina ou com ajuda de um supositório de glicerina (basta introduzir e retirar em seguida) ou com uma cânula de um microclister cortada na parte posterior e untada de vaselina. Assim facilitará a saída de fezes e gases do bebé.

Por vezes estas cólicas estão associadas a obstipação e por isso deixamos aqui um artigo sobre o assunto: http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/obstipacao-no-bebe 
 
Frequentemente estas cólicas são desesperantes para os pais pois frequentemente o sofrimento do bebé não se consegue diminuir como desejaríamos. No entanto, curiosamente, se os pais tentarem ajudar o seu bebé, mesmo que a eficácia dos seus esforços não seja a desejável, o bebé começa a aperceber-se desta tentativa de ajuda, o que será muito importante para a vinculação e a interação afetiva entre pais e bebés.
A resposta é: "Não!"

Tal como para a maior parte das infecções, as amigdalites podem ser provocadas por vírus ou bactérias. As primeiras NÃO precisam de antibiótico, mas as segundas precisam, pelo que se torna muito importante tentar distinguir as duas situações.
O primeiro aspecto a ter em atenção é a idade da criança. Se tiver menos de 2-3 anos, a probabilidade da amigdalite ser vírica é muito grande, enquanto que se for mais velha é mais provável ser bacteriana.

O segundo ponto tem a ver com o aspecto das amígdalas. Apesar de tradicionalmente se associar a presença de pus às amigdalites bacterianas, isso não é inteiramente verdade, pois pode surgir nos dois tipos. Há, no entanto, um aspecto bastante sugestivo de se tratar de uma infecção por bactérias, que é a presença de pequenos pontinhos vermelho-escuros na parte de trás do céu da boca.
Por fim, a presença de sintomas sugestivos de escarlatina (ver post sobre esse assunto aqui) aponta sempre para uma causa bacteriana e é indicação para iniciar antibiótico.

Como se pode concluir deste texto, a distinção entre amigdalite vírica (que não precisa de tratamento) e bacteriana (que necessita de antibiótico) nem sempre é fácil, pelo que se deve, sempre que possível, efectuar um teste rápido à garganta das crianças com amigdalite. Trata-se de um procedimento muito simples de executar e que consiste na colheita de um pouco de secreções da garganta com uma espécie de cotonete. Posteriormente adicionam-se uns reagentes e, ao fim de cerca de 5 minutos temos o resultado, que é muito fiável. É uma grande ajuda, que se utiliza cada vez mais e pode evitar, nalguns casos, o recurso desnecessário aos antibióticos.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016

A tosse é um sintoma muito frequente em Pediatria. É um mecanismo de defesa do organismo, que serve para “limpar” as vias aéreas, pelo que desempenha um papel importante na resistência do aparelho respiratório às agressões a que está sujeito.

 
Pode ser produzida por infecções, alergias, fumos, corpos estranhos, etc... Na maioria das vezes é causada por infecções víricas (“viroses”), particularmente nos meses de Inverno e nas crianças que frequentam infantários. Nessas situações, geralmente persiste cerca de 2 a 3 semanas, com a seguinte evolução: 1 – tosse seca; 2 – tosse com expectoração; 3 – tosse seca novamente.
 
Se o seu filho apresentar tosse, deve fazer o seguinte:
1) Oferecer-lhe líquidos em abundância, para tornar as secreções mais fluídas (lembre-se que a água é o melhor xarope para a tosse)
2) Manter um ambiente húmido
3) Não adicionar vapores de eucalipto ou outras substâncias inalantes que contenham álcool, cânfora ou outros substratos de plantas, pois estes agravam a tosse
4) Nunca expôr a criança ao fumo de tabaco
5) O tratamento com antibióticos apenas se justifica quando a causa é bacteriana e só deve ser iniciado se receitado pelo médico
6) Evitar os “xaropes para a tosse” – só os deve dar ao seu filho se aconselhados pelo médico
 
Numa situação de tosse, deve apenas procurar ajuda médica se ocorrer algum dos seguintes sinais de alarme:
1) Dificuldade respiratória
2) Dor no peito
3) Tosse com duração superior a 3 semanas
4) Lábios azulados / roxos
5) Vómitos ou dificuldade em alimentar-se
6) Tosse “sufocante”
7) Associação a prostração ou febre elevada
No entanto, não se esqueça que a maior parte das vezes a tosse é benéfica, porque serve para limpar os pulmões!
 
 Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2011
Esta é uma situação extremamente frequente e , na maior parte das vezes, é perfeitamente normal. Faz parte do desenvolvimento ortopédico das crianças andarem com os joelhos "para dentro" a partir dos 18 meses (mais ou menos), já que até lá o que se passa é exactamente o contrário, pois costumam ter as pernas arqueadas (ver post sobre esse assunto aqui).
 
Geralmente é uma situação que resolve até cerca dos 4-5 anos e só se isso não acontecer é que vale a pena observar para tentar perceber se há algo de errado. Há, inclusivamente, algumas crianças que metem tanto os joelhos "para dentro" que ficam com um andar trapalhão e até caem algumas vezes, mas isso não tem nenhum significado.

Também aqui o tempo é nosso amigo e acaba ir resolver a esmagadora maioria dos casos, pelo que não vale a pena estar a pensar em sapatos ortopédicos ou algo do género, salvo algumas excepções...

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015
É muito frequente as crianças pequenas andarem com os pés "metidos para dentro" e, na maior parte das vezes, isso deve-se apenas a uma postura incorrecta quando se sentam.

Geralmente as crianças sentam-se com as pernas voltadas para trás, como se formassem um "W" (ver figura ao lado) e isso faz com que as pernas rodem para dentro, o que se reflecte nesse andar característico.

A solução é muito simples e passa apenas por ensiná-las a sentar-se com as pernas cruzadas à frente ("à chinês"), de forma a evitar essa rotação interna das coxas. Não é uma posição de que as crianças pequenas gostem muito, mas depois de insistir um pouco elas acabam por aceitar.
Salvo raras excepções, é uma situação que não precisa de nenhum tratamento especial, sejam palmilhas, fisioterapia ou sapatos ortopédicos e tem tendência a resolver completamente com o tempo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

É bastante frequentes as crianças desenvolverem micoses nas unhas, particularmente nos pés.
Geralmente são situações que se manifestam por unhas mais grossas, amareladas e que se "desfazem" e que são muitas vezes difíceis de cortar (parece que crescem menos do que as outras).

Trata-se de uma situação que normalmente não causa nenhum desconforto, mas que do ponto de vista estético acaba por não ser muito agradável.
 

O tratamento passa sempre pela administração de um xarope ou comprimidos (depende da idade da criança) com efeito antifúngico, pois só dessa maneira se consegue garantir a erradicação do fungo. Há uns vernizes que podem ser aplicados, mas isoladamente não garantem uma eficácia significativa, pelo que não são uma boa opção quando usados sozinhos. Há vários esquemas de tratamento, mas de um modo geral todos implicam uma duração considerável, particularmente para as unhas dos pés.
 
Muitas vezes só se consegue observar o resultado ao fim de 2-3 meses, pois começa-se a ver a unha "normal" a crescer e "empurrar" a outra. O aspecto amarelado e mais grosso não desaparece, mas como não se prolonga vai sendo empurrado de forma contínua, até deixar de existir.
 
É uma situação contagiosa, mas que só afecta as unhas, pois o fungo não é o mesmo de outras micoses, como o "pé de atleta", por exemplo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2014

Se a criança tem mais de 5 ou 6 anos, terá de fazer um teste da função pulmonar (espirometria). O seu pediatra fará uma série de perguntas para chegar ao diagnóstico. Nos mais pequenos é diagnosticada pelos sintomas, a eliminação de outras doenças possíveis e a existência de uma boa resposta aos medicamentos utilizados para a asma. Também há que verificar se se trata de uma hipersensibilidade a alergénios inalados.

Manter uma alimentação saudável e equilibrada, sem o consumo de doces e refrigerantes, ajuda a prevenir as cáries. Desde que surgem os primeiros dentes, devemos cuidar deles. Deverão ser escovados juntamente com as gengivas após as refeições e sempre antes de dormir (esta última escovagem é a mais importante).

A cabeça da escova deve ser pequena e de filamentos macios e direitos. Quando os filamentos ficam deformados deve substituir-se a escova por uma nova, para que não magoe as gengivas.Não devemos colocar tampa protetora na escova para que esta consiga secar.

Deverá ser usada sempre pasta de dentes com flúor (1000 a 1500 ppm). Basta colocar uma pequena quantidade na escova, do tamanho de uma ervilha.

Recomenda-se uma supervisão cuidadosa na escovagem das crianças mais pequenas.
Para curar o sangramento das gengivas o meio mais eficaz é a escovagem.
Recomendamos uma revisão oral por ano, especialmente para aqueles que sofrem de doenças crónicas, como doença cardíaca ou diabetes.

As crianças com asma que utilizam inaladores ou tomam xaropes que contêm açúcares devem escovar os dentes após 30 minutos do uso do inalador ou da toma da medicação.

  • É fundamental avisar a escola que o nosso filho tem piolhos para assim evitarmos que outras crianças, incluindo os nossos, voltem a contagiar-se.
  • Devemos examinar a cabeça de todos os familiares lá de casa (eventualmente com uma lupa).
  • Não partilhar pentes, gorros, e outros utensílios para a cabeça (pelo menos com os afetados).
  • Tomar medidas para eliminar os piolhos das pessoas afetadas:
    •  Existem vários champôs ou cremes, uns inseticidas, outros não, mas que são geralmente muito eficazes. Deve-se repetir o tratamento cerca de 10 dias depois porque as lêndeas podem dar origem a novos piolhinhos neste período.
    • Adicionalmente é importante todos os dias, depois da lavagem do cabelo, pentear os cabelos molhados com pente de dentes finos para retirar as lêndeas. Os pentes melhores são de metal, pela sua rigidez.
    • Depois dos tratamentos já referidos é prudente examinar o cabelo uma vez por semana.
    • As lêndeas são muito sensíveis ao calor e por isso as roupas da cama e do corpo devem ser lavadas com água quente (60º) e secas ou passadas a ferro a altas temperaturas. Também os pentes ou adereços de cabelo podem ser lavados com água a ferver ou desinfetados.
       
  • A principal medida preventiva é verificar regularmente as cabeças das crianças. 



 

Quando uma criança perde a consciência, apresenta rigidez ou o corpo flácido e sem forças, um olhar vazio e os lábios arroxeados, com dificuldades em respirar, sacudindo os braços e as pernas, é muito provável que esteja a sofrer uma convulsão.

A convulsão pode durar poucos minutos, depois disso a pessoa vai recuperando gradualmente mas pode continuar confusa e sonolenta.

Quando se trata de crianças saudáveis, com idades entre os 6 meses e os 5 anos, com febre acima de 38 graus, fala-se em convulsão febril. Estas convulsões estão associadas à febre produzida no contexto de algumas infeções ligeiras que são as suas causas mais comuns. Quase todas as convulsões febris cedem em minutos. Poucas crianças necessitam de medicação específica. Uma vez recuperados, podem simplesmente tomar um medicamento para a febre.

As convulsões febris não se previnem facilmente, exceto quando a criança tem febre, em que se pode dar medicamentos para a baixar, com dosagem apropriada para o seu peso e idade.

Além de fazer por manter a calma, há algumas recomendações que podem ajudar a superar esta situação:
  • Colocar a criança deitada de lado, num sítio seguro, e evitar que se autoagrida involuntariamente.
  • Comprovar que pode respirar bem e que não corre perigo de asfixia.
  Se se tratar da primeira vez, recomenda-se que vá ao hospital para confirmar que é uma convulsão febril. Deverá ser feita uma avaliação médica da criança no sentido de chegar à causa da febre, que geralmente é uma infeção ligeira de causa viral. Se a criança já teve ataques anteriores administre medicação retal para reduzir a febre e as convulsões, de acordo com o já recomendado pelo pediatra. Verifique quanto tempo dura a crise convulsiva e dirija-se a um serviço de saúde para fazer uma nova avaliação clínica.

São produtos biológicos utilizados para prevenir doenças infeciosas, provocando reações no nosso organismo que levam ao desenvolvimento de defesas específicas contra as infeções para as quais se está a ser vacinado.

Após a administração da vacina em injeção ou gotas (pela boca), o organismo produz anticorpos. Estes anticorpos protegem-nos quando é necessário enfrentar os agentes causadores da doença, destruindo-os e evitando a doença.

No futuro, sempre que entrarmos em contato com o agente contra o qual fomos vacinados, o nosso organismo “recorda-se” dele e desencadeará a produção de anticorpos protetores.

Para os proteger de doenças que podem causar complicações graves, sequelas ou até ser fatais. Algumas destas doenças são agora muito pouco frequentes, o que se deve à adesão dos pais e de toda a população à vacinação.

O calendário de vacinação atual tem o seu início à nascença (na maternidade), e a maioria das vacinas são administradas nos dois primeiros anos de vida. Ao vacinar o seu filho a tempo, de acordo com a idade recomendada pelo calendário de vacinação, estará a protegê-lo e a impedir que contagie os outros na creche, no jardim-de-infância e na escola. As crianças com menos de cinco anos são muito suscetíveis a contrair doenças pois o seu sistema imunológico, ainda não está suficientemente desenvolvido para lutar, por si só, contra estas infeções.

As vacinas mais utilizadas protegem contra as seguintes doenças: tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, meningite C, doença invasiva por Haemophilus influenzae b, sarampo, rubéola, papeira, infeções por vírus do papiloma humano, infeção pneumocócica, varicela, diarreia por rotavírus, hepatite A e gripe.

Muitos vírus e bactérias que causam doenças evitáveis pela vacinação, mantém-se no nosso ambiente e por essa razão, é importante que os meninos e as meninas, especialmente os bebés e as crianças mais pequenas, sejam vacinados na idade certa e de acordo com o calendário de vacinação recomendado.

Além disso, é importante lembrar que vivemos numa sociedade em que existe uma grande mobilidade de pessoas, que viajam de e para países onde as doenças evitáveis pela vacinação são frequentes e onde até poderão estar a ocorrer surtos. Por outro lado, é possível que nós próprios e os nossos filhos, também viajemos para esses países.

No caso do seu filho ter falhado alguma vacina fale com o seu enfermeiro ou médico, pois o mais provável é poder e dever fazer essa vacina imediatamente ou logo que possa.

A maioria das vacinas podem ser administradas em qualquer idade e, além disso, se tiver falhado alguma dose não será necessário recomeçar o esquema, pois as doses anteriores são válidas mesmo que já tenha ultrapassado demasiado tempo em relação ao aconselhado.

As vacinas são produtos muito seguros, pois são submetidas a estudos rigorosos antes de serem administradas e continuam a ser vigiadas mesmo após a sua comercialização. No entanto, como todos os medicamentos, podem ter efeitos secundários, que são geralmente ligeiros, como um pouco de dor, inchaço e vermelhidão no local da administração, alguma febre, ou erupção cutânea, dependendo do tipo de vacina.

Excecionalmente, uma vacina pode provocar reações graves em pessoas alérgicas aos seus componentes ou por outras circunstâncias. Por isso, recomenda-se a sua administração por profissionais de saúde e que se permaneça no Centro de Saúde durante 30 minutos após a vacinação.

Deverá sempre pedir informação junto dos profissionais de saúde que o atendem, sobre as possíveis contraindicações das vacinas. As contraindicações para a vacinação são raras. No entanto, tanto as contraindicações como as precauções especiais na utilização das vacinas são apresentadas na ficha técnica das mesmas.

Uma doença ligeira aguda, com ou sem febre (exemplo: infeção das vias respiratórias superiores, diarreia) não é uma contraindicação para vacinação. A principal contraindicação é a eventualidade de ter alergia grave à vacina ou a qualquer um dos seus componentes. Ao contrário do que se julga, as vacinas poderão ser administradas mesmo que o seu filho esteja constipado ou possa estar a incubar alguma doença.

Se pensa que o seu filho está a ter uma reação grave, telefone para o 112 ou dirija-se imediatamente ao seu médico ou a um serviço de urgência.