Birras...

Birras...

É algo que todos já vimos ou experenciámos. Algures na vizinhança, irá encontrar uma mãe ou um pai embaraçado fazendo o seu melhor para ignorar a criança ou para fazê-la parar.

De facto, as birras são esperadas nas crianças, particularmente nos dois anos de idade mas na primeira vez que a criança faz uma birra poderá ser algo doloroso para os pais, especialmente se tiverem na presença de visitas ou em público.

Então, qual a razão por trás disto?

Por vezes, não há razões óbvias mas normalmente surge, quando as crianças se sentem frustradas ou zangadas. Tal como os adultos, as crianças pequenas também podem sentir frustração face às dificuldades para realizar determinada tarefa. Por outro lado, também ainda não conhecem nem dominam palavras suficientes para dizer exactamente aquilo que querem, poderão sentir-se cansadas ou não gostarem que lhe digam "não".

As birras, normalmente surgem por volta dos doze meses e começam a ser menos comuns por volta dos três, quatro anos, à medida que começam a aprender outras formas de resolver problemas.

Claro que, todos terão as suas personalidades e enquanto uns, serão naturalmente mais quietos e tranquilos, fazendo menos birras, outros terão um temperamento mais irrequieto, tendo birras com maior frequência. Estes, precisarão da ajuda dos pais para melhorar estes comportamentos.

Mas se, por um lado, as birras são geralmente associadas, tomando maior visibilidade, nos comportamentos disruptivos; por outro, também expressam a importante oportunidade para ajudar o professor ou a criança a lidar com a frustração e a zanga. Saber como lidar com as inevitáveis frustrações da vida e ter a capacidade de saber expressar o descontentamento de forma apropriada são bons indicadores para um adulto bem sucedido.

Uma birra poderá durar cerca de 20 segundos ou prolongar-se durante horas. Isto poderá incluir choros, gritos, "bateres de pé" e inclusive, deitarem-se sobre o chão. O desafio para os pais será lidar com as "birras" assim que elas ocorrem e ensinar à criança a acalmar-se rapidamente, pois reduzirá substancialmente a aflição, tanto da criança como a vossa.

Uma das melhores formas para evitar as birras, será ajudar a fazer diminuir as hipóteses destas ocorrerem. Na prática, em sua casa, tire fora do alcance das crianças as coisas onde não quer que elas mexam. Isto evitará que tenha que repetir "não" simultaneamente.

Promova um ambiente no qual, o seu filho se sinta seguro e confortável, deixe-o saber em diversas alturas do dia o que está a fazer, assim como, o que planeiam fazer a seguir. Também será uma boa ideia ter regras simples e realistas e manter uma rotina, tanto para as horas das refeições como para as de dormir.

Gerir "birras", poderá implicar ter de ignorar o seu filho e afastar-se, caso veja ser seguro fazê-lo, até que a "birra" pare, elogiando-o logo de seguida. Este procedimento será mais efectivo para crianças abaixo dos dois anos de idade e será mais difícil mediante a presença de outras crianças ou visitas.

No caso de crianças mais velhas, será provavelmente melhor dar-lhes instruções claras:
- "Pedro, pára de gritar imediatamente e fala como deve ser" - ajudará se tirar um tempo fora, aproveitando para reflectir.

Quando recorrer a esta "técnica", de usar o "Time-out", ou seja, de dar um tempo, certifique-se de que a criança será retirada do lugar onde se deu origem a "birra" para um outro lugar sem estímulos (brinquedos, TV, etc.), para que a criança possa estar quieta ou reflectir por um minuto. Poderá ter de recorrer a esta técnica várias vezes até a criança aprender a lidar com a frustração.

Enfrentar estes comportamentos poderá levar algumas semanas de esforços combinados e aplicações consistentes da técnica do "Time-out", entre outras.

CUIDADOS PARENTAIS:
O facto das birras serem em público torna mais difícil a utilização de estratégias, tais como, o ignorar a criança até que a birra acabe. Em vez disso, encontre um lugar calmo para se sentar com o seu filho, por exemplo: num banco de jardim ou no seu carro e diga-lhe que tem de se sentar quieto. Espere ao seu lado (sem falar) até que consigam estar quietos por 30 segundos antes de continuarem. Se não for bem sucedido, provavelmente terá de abandonar a sua viagem para levar as crianças para casa de modo a acabar imediatamente com a birra. Poderá sempre voltar a tentar para a próxima, será normal por isso, não desanime.
 

Fonte:
Texto baseado na tradução livre de documentação do Programa Triple P - Positive Parenting Program
www.triplep.net

Birras em idade escolar (6 aos 10 anos)

No início da integração ao meio escolar, alguns alunos sentem maiores dificuldades na transição necessária para o contexto da sala de aula, surgindo algumas contrariedades face ao terem de se concentrar num tempo definido e num espaço restrito por um período considerável de tempo.

Por vezes, surgem, verdadeiros ataques de fúria, com gritos e pontapés no ar, deixando quem assiste desconcertado.

Muitas vezes, estes ataques de fúria são expressões genuínas de raiva ou de frustração e não tentativas de manipulação como na maioria das vezes são interpretados.

O que fazer?
O mais importante é explicar às crianças que não é assim que devem reagir (se não conseguir que a criança o oiça no momento, converse com ela mais tarde). Procure acalmá-las, com uma festa ou um abraço e com palavras simples e decididas. Muitas vezes, o humor também pode ajudar. Lembrar uma situação engraçada ou dizer uma piada são bons desbloqueadores de birras.

É sabido também que ter público habitualmente, aumenta a intensidade da birra. Então, evite dar-lhe demasiada atenção e continue o que estava a fazer. Contudo, isto não quer dizer, que faça de conta que não está a ver ou que nada se passa. Deve, ao dar-lhe a conhecer que já percebeu o seu comportamento e sem o valorizar, incentivar a criança a seguir com as suas actividades.

Fonte:
Helena Coelho, 2009